Albert Schweitzer e a selva africana

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Albert Schweitzer, renomado musicista e professor alemão, abriu mão de sua carreira na Alemanha para se aventurar no desconhecido em plena época colonialista 

Nascido em  14 de janeiro de 1875, na Alemanha, numa família tradicionalmente ligada à música e à religião, Albert Schweitzer foi um prestigiado organista, especialista em Bach, escritor e professor de teologia na Universidade de Estrasburgo. Decidido, porém, a embarcar para a África como médico e missionário, começa a estudar medicina em 1905. Com suas atividades profissionais anteriores, inicia a arrecadação de fundos para o curso e a futura construção de um hospital em Lambaréné, na África equatorial. Em 1913, embarca para a África para construir uma estação médica a serviço da Sociedade Missionária francesa. Morreu em 4 de setembro de 1965, em Lambaréné, no atual Gabão.

Ganhador do Nobel da Paz em 1952 e laureado com o prêmio Goethe, em 1928, Albert Schweitzer possui dois títulos publicados pela Editora Unesp. Em homenagem ao seu aniversário, os livros estão com desconto de 30% até dia 19 de janeiro.  

Entre a água e a selva 
Autor: Albert Schweitzer | Páginas: 184 | De R$ 40 por R$ 28

Em um relato incrível, envolvente e extremamente humano, Schweitzer conta detalhes que vão desde a conturbada viagem para chegar às suas novas instalações na África até o desejo latente de retomar seus serviços quando, após quatro anos e meio exercendo a medicina no continente africano, viu seus recursos acabarem por ocasião da guerra e passou por problemas de saúde.

O cenário local é retratado com o cuidado de quem não só observa, mas vive o contexto. O relato de histórias de pessoas e costumes contornam a narrativa que se constrói a partir das experiências do novo médico em um ambiente tão diferente e precário para o exercício da medicina. Com a ajuda de sua esposa e do enfermeiro Joseph, nativo da região, Schweitzer conseguiu ajudar inúmeros nativos que padeciam de doenças locais ou levadas pelos europeus, realizou operações com sucesso e deu vida nova aos doentes mentais que eram frequentemente tratados como animais, como frisa o próprio autor. 

Apesar da falta de recursos e de ajuda que lhe permitissem ampliar o conforto aos pacientes e a si próprio, Schweitzer continuou com seu projeto e pela excelência de seu trabalho foi recompensado com o Prêmio Nobel da Paz em 1952, com a gratidão e confiança dos nativos e com conterrâneos que se tornaram entusiastas de suas inciativas. “O socorro que devemos prodigalizar aos homens da África não nos deve seduzir como uma ‘obra de bem’, e sim como um imperioso dever”, ressalta o autor.

Filosofia da civilização
Autor: Albert Schweitzer | Páginas: 184 | De R$ 66 por R$ 46,20

Concluída entre 1914 e 1917, portanto em meio à Primeira Guerra Mundial, esta obra faz uma crítica à filosofia ocidental por seu fracasso em construir, como se propõe, uma visão duradoura de mundo capaz de fundar uma civilização baseada no otimismo perante a vida e na ética. E sugere um novo caminho, que, porém, não rejeita o antigo Racionalismo, mas procura retomá-lo do século XVIII, dando-lhe nova conformação: a do Racionalismo incondicional. Esse novo pensamento racionalista proposto por Albert Schweitzer (1875-1965) deixa de lado a obsessão por conhecer o sentido do mundo – que admite como meta intangível – e centra-se no sentimento de “querer viver”.

Para Schweitzer, é no desejo de viver, inerente a cada um, que reside a visão de vida otimista e ética, que necessariamente precede a visão de mundo, em vez de enraizar-se nesta: se reverencia a própria vida, cada ser humano deve considerar sagrada toda e qualquer vida. Ao aprofundar tal interpretação, o Racionalismo incondicional aflui para o misticismo, propondo que, por meio da atitude otimista da vida e do mundo e também da ética, o ser humano satisfaz o desejo universal de querer viver que nele se revela. O filósofo escreve: “Vivo minha vida em Deus, na misteriosa personalidade divina e ética que não reconheço dessa forma no mundo, mas apenas a vivo como um anseio misterioso em mim”.

Assessoria de Imprensa da Fundação Editora da Unesp