Clássicos do catálogo: 'A pena e a espada: Diálogos com Edward W. Said'

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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Diálogos com Edward W. Said

Em tempos nos quais a solução de dois estados parece cada vez mais distante na turbulenta relação entre israelenses e palestinos, a seção Clássicos do catálogo desta semana retoma a obra A pena e a espada: Diálogos com Edward W. Said, de David Barsamian e Edward W. Said (1935-2003), ícone da resistência política e cultural da Palestina. 

O pensamento político ímpar e a trajetória do ativista Edward Said emergem com simplicidade das cinco entrevistas que compõem esta obra, concedidas por ele ao jornalista norte-americano David Barsamian entre 1987 e 1993. Os depoimentos desvelam ainda o homem por trás da obra, ao trazerem à tona as ansiedades e angústias de Said acerca das relações entre Israel e Palestina num período crucial da história do conflito entre os dois povos, além de relatos de episódios pessoais comoventes e comentários sobre escritores inevitáveis para ele, como Joseph Conrad, Jane Austin, T. S. Eliot e Albert Camus.

Na entrevista “A política e a cultura do exílio palestino”, de 1987, Said detalha sua visão sobre a importância do resgate da cultura palestina, tanto em nível interno quanto externo, para demonstrar a “existência” de um povo que Israel procura negar de modo a continuar justificando indefinidamente a invasão de seus territórios: “A nossa posição é singular porque somos as vítimas das vítimas”.

Na segunda entrevista, “Orientalismo revisitado” (1991), Said discute o conceito anacrônico e desvirtuado do Ocidente em relação ao Oriente, particularmente o mundo árabe, tomado como uma única cultura – depravada, indigna, sensual e violenta. Em “Cultura e Orientalismo” (1993), ele comenta seu livro homônimo e nas duas últimas entrevistas – “O acordo entre Israel e a OLP: uma avaliação crítica” (1993) e “Palestina: traição da História” (1994) ele explica como acompanhou e avaliou as negociações que culminaram no Acordo de Oslo (1993), o qual define como uma “capitulação” palestina. Ao longo de toda a obra, aliás, transparece o crescente sentimento de decepção de Said com Yasser Arafat, e são esclarecidas as diferenças políticas entre os dois.

O livro ainda inclui textos introdutórios de Arlene Clemensha, Eqbal Ahmad e Nubar Hovsepian, que, assim como as entrevistas, falam do homem que ergueu o intelectual e trazem mais luz ao pensamento de Said, cuja questão, a da Palestina, permanece em aberto após quase 20 anos de sua morte.

Assessoria de Imprensa da Fundação Editora da Unesp
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