Clássicos do Catálogo: 'Modesta proposta: e outros textos satíricos', de Jonathan Swift

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segunda-feira, 1 de março de 2021

Neste volume há uma compilação de escritos satíricos de Jonathan Swift

A seção Clássicos do Catálogo desta semana resgata o título inaugural da Coleção Pequenos Frascos, que oferece obras de agradável leitura em edições de bolso cuidadosamente editadas: Modesta proposta: e outros textos satíricos, de Jonathan Swift. A obra reúne textos satíricos de um dos maiores mestres deste gênero.

As soluções mecanicistas para o problema da fome e a difusão de “almanaques” de sabedoria e previsões são alguns alvos do humor corrosivo do escritor irlandês nesta coletânea de 1729.

Swift oferecia à Irlanda sua “Modesta Proposta” para evitar que as crianças dos pobres “se tornem um fardo para seus pais ou seu país, e para torná-las benéficas ao público”. Lembrava a todos que “uma criancinha saudável e bem tratada é, com um ano, um alimento realmente delicioso, nutritivo e completo, seja cozida, grelhada, assada ou fervida”.

Com humor ácido e penetrante, passava então a relacionar as maneiras mais eficientes para tirar de tal atividade o maior retorno possível para a economia. Enumerava ainda vantagens adicionais do sistema, como o aumento do “cuidado e da ternura das mães com seus filhos, ao ficarem seguras de que seus pobres bebês estão com a vida encaminhada”. Em “Os manuscritos Bickerstaff”, o alvo principal é John Partridge, um sapateiro que se tornou escritor de almanaques de astrologia e ganhou notoriedade na Inglaterra do início do século XVIII. Swift, sob o pseudônimo de Isaac Bickerstaff, publicou então uma série de previsões, inclusive da morte de Partridge, que precisou escrever uma contestação para mostrar que continuava vivo. A maneira como Swift “prova”, em um texto também presente nesta edição, que Partridge não está vivo é particularmente hilariante.

Completam a presente edição, “Meditação a respeito de um cabo de vassoura”, que ironiza a metodologia racionalista do físico e químico Robert Boyle (notável pela lei dos gases que leva seu nome), e ”Ensaio irrefutável sobre as faculdades do espírito”, uma deliciosa paródia dos artigos filosóficos vazios e repletos de clichês.

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