Nova tiragem de 'Os gregos acreditavam em seus mitos?', de Paul Veyne

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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Em Os gregos acreditavam em seus mitos?, obra que acaba de ganhar nova impressão, o historiador e arqueólogo francês Paul Veyne parte para estudar a pluralidade das modalidades de crença e daí se projeta para algo além: a verdade é a experiência mais histórica de todas. Assim, se os gregos têm a sua maneira própria de acreditar em sua mitologia, eles também têm a sua maneira de escrever história, que não é a nossa. 

Para nós, ocidentais, herdeiros intelectuais do Iluminismo, a oposição entre mito e razão deveria acabar com o triunfo desta última. Assim, questionar se os gregos realmente acreditavam que Teseu realmente lutou contra o Minotauro ou se Minus continua a ser juiz no inferno (como, aliás, também o representa Dante na Divina Comédia) é deslocar a questão para algo que não faria sentido na Antiguidade. Sabendo que os poetas “mentem”, não era preciso que Teseu deixasse de existir, mas apenas “depurar o mito pela razão”. Não opunham superstição e logos, entre erro e verdade, já que não há uma verdade como nos habituamos dentro da tradição cristã.

Deste ponto de partida, o historiador e arqueólogo francês Paul Veyne parte para estudar a pluralidade das modalidades de crença e daí se projeta para algo além: a verdade é a experiência mais histórica de todas. Assim, se os gregos têm a sua maneira própria de acreditar em sua mitologia, eles também têm a sua maneira de escrever história, que não é a nossa.

Tal reflexão faz com que inicie o seu Os gregos acreditavam em seus mitos? explicando que há uma boa razão para que raramente possamos distinguir fontes primárias e informações de segunda mão no historiador antigo: ele simplesmente não as citas ou faz isso irregularmente. 

A digressão sobre mito e verdade então se desdobra, nas mãos de Veyne, em consequências para o fazer do historiador, já que deve evitar o relato de verdades guiado pelo desejo de relatar uma verdade superior. E se “as verdades já são imaginações e a imaginação está no poder desde sempre”, esta é uma força que delimita os espaços das verdades, molda “ as religiões ou as literaturas, e também as políticas, as condutas, e as ciências.

Assessoria de Imprensa da Fundação Editora da Unesp