Tributo a Oswaldo Porchat revisita contribuição do pensador à filosofia brasileira

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segunda-feira, 5 de março de 2018

Ao caminhar pelas diversas fases de Porchat, o texto revela um modelo de reflexão pessoal sem nenhuma ingenuidade histórica que fomentou uma nova atitude de pensamento crítico

Uma visão cética do mundoSe hoje a filosofia brasileira atravessa um momento próspero, isso se deve em grande medida às mais variadas contribuições do filósofo Oswaldo Porchat Pereira (1933-2017). Com objetivo de resgatar sua percepção singular e mergulhar em sua filosofia, Plinio Junqueira Smith traz a lume Uma visão cética do mundo: Porchat e a filosofia, lançamento da Editora Unesp.            

A concepção da obra brotou de maneira muito particular. “Este livro começou a surgir em março de 2011, quando visitei Porchat no hospital”, escreve o autor. “Ao voltar para casa, peguei seu principal livro, Rumo ao ceticismo (Porchat Pereira, 2007), e durante duas semanas não li outra coisa. Ocorreu-me uma ideia sobre o conflito das filosofias e eu a expus na visita seguinte. Porchat me disse que ele jamais havia pensado sobre isso. Mas eu achava que a ideia era dele. Isso me animou a continuar mergulhado na leitura de sua obra, o que fiz por meses a fio. Como as ideias foram aparecendo, julguei que valia a pena escrever um livro inteiro sobre seu pensamento.”            

O texto se divide em duas grandes partes: na primeira, Fases, o autor explora o silêncio da não filosofia, a filosofia da visão comum do mundo e o neopirronismo; na segunda, Temas, Smith discute sobre a ideia mesma de conflito, argumentos dialéticos e fenomênicos, visões do ceticismo, estruturalismo: metafilosofia e método e, por fim, filosofia e história da filosofia.             

“Na tarde do dia 15 de outubro de 2017, dia do professor, morreu Porchat, aos 84 anos. É provável que isso tenha acontecido, se o acaso não existe, quando eu e Luiz Eva nos perdemos por causa de um erro do GPS ao voltarmos de um almoço no campo, exatamente no momento em que entramos numa rua sem saída e paramos debaixo de lindas árvores, cujas folhas caídas formavam um tapete amarelo”, recorda. “Naquele momento de profundo silêncio e tranquilidade, percebi que existe no mundo algo de eterno. O erro do GPS nos conduziu para aquele lugar maravilhoso pelas mãos dos deuses, se eles existem e têm mãos e se é que eles têm sabedoria e sensibilidade para nossos sentimentos (contra o que dizem os epicuristas). Tendo começado com uma visita a Porchat no hospital, este livro é publicado sob o signo de sua morte.”

Sobre o autor – Plínio Junqueira Smith é professor livre-docente na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foi pesquisador visitante na Universidade de Oxford, Inglaterra, e na Universidade da Califórnia, Berkeley. Suas áreas de especialidade são História da Filosofia Moderna, Teoria do Conhecimento e Ceticismo. É autor de vários livros, entre os quais: O ceticismo de Hume (1995), Ceticismo filosófico (2000), Do começo da filosofia e outros ensaios (2005) e O método cético de oposição na filosofia moderna (2015). Organizou as obras O filósofo e sua história: uma homenagem a Oswaldo Porchat (2003; com Michael Wrigley) e O neopirronismo de Oswaldo Porchat (2015).  

Título: Uma visão cética do mundo: Porchat e a filosofia
Autor: Plinio Junqueira Smith
Número de páginas: 369
Formato: 16 x 23 cm
Preço: R$ 88,00
ISBN: 978-85-393-0704-3

Assessoria de Imprensa da Fundação Editora da Unesp