Obra reúne textos fundamentais do filósofo alemão sobre psicologia social, fascismo, autoritarismo e os impasses da subjetividade na sociedade contemporânea
As relações entre indivíduo e sociedade estiveram no centro das preocupações intelectuais de Theodor W. Adorno ao longo de toda a sua trajetória. É desse terreno de investigação que emerge Ensaios sobre psicologia social e psicanálise, coletânea que retorna ao catálogo da Editora Unesp em segunda edição, reunindo textos fundamentais do filósofo alemão sobre a interlocução entre psicanálise, sociologia e teoria crítica.
Traduzida por Verlaine Freitas e acompanhada de posfácio do psicanalista Christian Ingo Lenz Dunker, a obra apresenta sete ensaios nos quais Adorno examina fenômenos como o fascismo, a personalidade autoritária, o antissemitismo e os efeitos psíquicos das formas de dominação social. Em vez de tratar a psicologia como um campo isolado da experiência histórica, o autor investiga como os conflitos coletivos se inscrevem na formação dos sujeitos e moldam comportamentos, crenças e formas de sofrimento.
“Há cerca de vinte e cinco anos, tornou-se perceptível na psicanálise a tendência de atribuir um papel mais importante do que até então era concedido àquelas motivações de tipo social ou cultural acessíveis sem maiores dificuldades à consciência, em prejuízo dos mecanismos ocultos do inconsciente”, anota Adorno. “O que se procura é algo como uma sociologização da psicanálise.”
Ao contrário de interpretações que o posicionam como um crítico da psicanálise, Adorno reconhece na tradição inaugurada por Freud uma ferramenta decisiva para compreender a constituição da subjetividade moderna. Como observa Christian Dunker no posfácio, o filósofo jamais abandonou o projeto de uma “psicologia social analiticamente orientada”, capaz de articular investigação empírica, crítica filosófica e análise das contradições da vida social.
Os textos reunidos no volume também registram o diálogo de Adorno com os debates que marcaram a institucionalização da psicanálise ao longo do século XX. Acompanhando sua difusão nos Estados Unidos durante e após a Segunda Guerra Mundial, o filósofo examina criticamente as adaptações que aproximaram a psicanálise de correntes psicológicas voltadas à adaptação dos indivíduos às exigências sociais vigentes. É nesse contexto que surgem algumas de suas reflexões mais contundentes sobre os limites da cultura terapêutica e sobre os riscos de transformar o sofrimento em mera questão de ajustamento pessoal.
“O antagonismo social reproduz-se no objetivo da análise, que não mais sabe, nem pode saber, para onde quer conduzir o paciente, se para a felicidade da liberdade ou para a felicidade na não liberdade”, escreve Adorno em “Sobre a relação entre sociologia e psicologia”, referindo-se ao culturalismo.
Além desse ensaio, o livro traz "A psicanálise revisada", "Antissemitismo e propaganda fascista", "Teoria freudiana e o padrão da propaganda fascista", "Observações sobre política e neurose", "Tabus sexuais e direito hoje" e "Teses sobre a necessidade".
Sobre o autor – Theodor W. Adorno (1903-1969) foi um filósofo alemão e um dos principais teóricos da cultura. Fez parte da corrente conhecida como Escola de Frankfurt, ao lado de Max Horkheimer, Walter Benjamin e Jürgen Habermas.
Título: Ensaios sobre psicologia social e psicanálise
Tradução: Verlaine Freitas
Posfácio: Christian Ingo Lenz Dunker
Número de páginas: 240
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 72
ISBN: 978-65-5711-349-3
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