Clássicos do Catálogo: 'Berg: o mestre da transição mínima', de Adorno

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terça-feira, 20 de abril de 2021

Escrito em um momento decisivo do debate das vanguardas musicais pós-Segunda Guerra, este livro traz uma proposição maior referente à teoria adorniana da arte

Terceiro título da Coleção Adorno, a obra Berg: o mestre da transição mínima, título escolhido para a seção Clássicos do Catálogo desta semana, é muito mais do que uma compilação de artigos e conferências sobre a obra de Alban Berg, expoente da música dodecafônica que revolucionou a composição musical no século 20. Nas palavras do professor Jean-Paul Olive, “trata-se do livro mais cativante de Adorno, no qual se revelam, como em nenhum outro livro, tanto a admiração e a afeição que ele mantinha pelo compositor vienense quanto um verdadeiro ideal do que é a música”. 

O livro, último de Adorno a ser publicado em vida e primeiro volume da coleção a tratar de crítica musical, reúne textos escritos pelo filósofo alemão entre as décadas de 1930 e 1960. No entanto, se fazem presentes nessa coletânea somente artigos que não apareceram em seus outros livros. Berg: o mestre da transição mínima consiste, sobretudo, em um esforço pessoal de Adorno em revelar a originalidade presente na música daquele que fora seu mentor na arte da composição. 

Ao longo dos ensaios, Adorno procura não apenas desconstruir os preconceitos criados pela vanguarda do pós-guerra – que julgava as peças musicais de Berg tolas por estas terem vínculos com o pós-romantismo –, como também mostrar que os apreciadores do músico vienense não compreendiam a inovação presente na arte de seu professor.  Trata-se da defesa de que a modernidade das obras não está vinculada à modernidade dos materiais.             

Com a escrita virtuosa e o discurso dialético que lhe são característicos, analisa com acuidade movimentos de peças como Der Wein, Wozzeck e Lulu (verdadeiros marcos de sua produção), além de concertos, lieder, sonatas e peças orquestrais. E o livro transcende a teoria musical, sendo possível perceber as fortes relações que Adorno estabelece entre filosofia e música, além do próprio método estabelecido aqui que ultrapassa os da musicologia tradicional, aliando o rigor técnico da análise musical com a busca do conteúdo histórico. 

Assessoria de Imprensa da Fundação Editora da Unesp
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