Héctor Luis Saint-Pierre comenta classificação de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA

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domingo, 7 de junho de 2026

Em entrevista ao canal da Editora Unesp, pesquisador analisa os impactos da decisão norte-americana para a soberania brasileira, a segurança pública e o cenário eleitoral de 2026

A recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas reacendeu debates sobre segurança pública, soberania nacional e relações internacionais. Para analisar o tema, o canal da Editora Unesp no YouTube entrevistou o pesquisador Héctor Luis Saint-Pierre, professor titular de Segurança Internacional e Resolução de Conflitos da Unesp e autor de A política armada, uma das obras pioneiras no Brasil sobre estudos do terrorismo.

Ao longo da conversa, Saint-Pierre questiona a eficácia prática da medida e argumenta que a classificação tende a deslocar o enfrentamento ao crime organizado do campo policial para uma lógica militar. Segundo ele, o combate às organizações criminosas depende de inteligência financeira, investigação e cooperação entre órgãos de segurança, e não de operações militares espetaculares. O pesquisador também sustenta que a medida pode ampliar a presença e a influência estratégica dos Estados Unidos na América Latina sob o argumento do combate ao terrorismo.

Outro ponto abordado na entrevista é o impacto da decisão no debate político brasileiro. Para Saint-Pierre, o tema já foi incorporado à disputa eleitoral de 2026 e tende a ser utilizado por diferentes grupos políticos como símbolo de combate ao crime ou de defesa da soberania nacional. O pesquisador avalia ainda que a simplificação de temas complexos em mensagens de forte apelo emocional tem se tornado uma característica central das disputas políticas contemporâneas.

A conversa também revisita experiências anteriores de emprego das Forças Armadas em operações de segurança pública, no Brasil e em outros países da América Latina. Na avaliação do pesquisador, os resultados obtidos historicamente não indicam redução duradoura da criminalidade e podem gerar efeitos colaterais sobre as próprias instituições encarregadas da defesa nacional.

Assista à íntegra abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=91gy7cOygWA

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