'Histórias extraordinárias', de Edgar Allan Poe, ganha reimpressão em 2026

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segunda-feira, 23 de março de 2026

Coleção Clássicos da Literatura Unesp lança seleção de catorze dos mais representativos contos
do mestre da literatura breve estadunidense

Nos últimos dois séculos, o nome de Edgar Allan Poe (1809-1849) se tornou sinônimo de histórias de mistério, seja o suspense, sejam as narrativas de teor sobrenatural, chegando a flertar com a ficção científica. Altamente inventivo, Poe perscrutou as fronteiras entre a lucidez e a insanidade. Saborosa porta de entrada para a obra do grande mestre da narrativa breve, Histórias extraordinárias, que acaba de ganhar nova tiragem, traz catorze de seus mais célebres textos.

Com breve passagem pela Universidade da Virgínia e tentativas de seguir carreira militar, Poe iniciou na atividade literária em 1827, ainda que de modo anônimo. Ao lado do ofício de escritor, atuou como editor e crítico literário em diversos periódicos e publicou, em 1839, “A queda da casa de Usher”, uma de suas histórias mais notáveis e que abre a presente edição.

Fascinado pela inventividade, pelo domínio técnico e pelo espírito analítico de Edgar Allan Poe, Charles Baudelaire, em 1856, foi o primeiro a traduzir para o francês e reunir sob o título de Histórias extraordinárias uma seleção de contos fantásticos publicados em diversos periódicos e em diferentes momentos da vida do escritor estadunidense. Desde então, diversas antologias foram lançadas sob essa mesma inscrição. Em comum, as narrativas escolhidas colocam em cena a agonia humana associada ao medo e à morte.

De fato, esses dois temas frequentam o coração desta edição: ora se insinuam em homicídios brutais (“Os assassinatos na rua Morgue”, “O mistério de Marie Rogêt”) ora aparecem como fantasmagorias (“A máscara da morte rubra”) ou alegorizados (“O poço e o pêndulo”). A debilidade física (“A queda da casa de Usher”, “Enterrado vivo”) ou psíquica (“Berenice”) também assume sua faceta aterradora e assombra os personagens. As enfermidades, primas da morte, não raro borram as fronteiras do racional e permitem a intrusão de elementos sobrenaturais (“Ligeia”).

Outra característica dessas histórias é o contraste entre os comportamentos prudentes e os irrefletidos. Se, por um lado, há assassinos (“O gato preto”), presunçosos (“O barril de Amontillado”) e obsessivos (“O retrato oval”), tipos que cedem aos impulsos irracionais, por outro lado, existem figuras sensatas, que operam com a benevolência (“Eleonora”) ou a lógica (“A carta roubada”). O tema do duplo também é recorrente nessas narrativas: a identidade dos personagens raramente é unificada, e a dualidade marca a todos, inclusive flertando com o sobrenatural (“Morella”).

Autor prolífico, Poe deixou dois romances, numerosos contos e poemas, além de ensaios, resenhas literárias e abundante correspondência. A crítica contemporânea o coloca entre os escritores mais notáveis da literatura estadunidense do século XIX. Seu trabalho também ultrapassou as fronteiras da literatura e até hoje frutifica versões em outros campos artísticos, como no cinema, no teatro e na música.

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