Pauline Schmitt Pantel apresenta as principais divindades da Grécia antiga e explica como religião, cidades, ritos e mitos se entrelaçavam em um mundo que se estendeu do Mediterrâneo às margens do Indo
Zeus, Atena, Héstia, Hércules e Édipo atravessaram séculos como personagens de algumas das narrativas mais conhecidas do Ocidente. Para os gregos antigos, porém, deuses, heróis e seus mitos não pertenciam apenas ao universo das histórias: faziam parte da organização das cidades, das práticas religiosas e da maneira como essas populações compreendiam o mundo. É essa dimensão que a historiadora Pauline Schmitt Pantel apresenta aos jovens leitores em Deuses e deusas da Grécia explicados às crianças, lançamento da Editora Unesp com tradução de Fernando Santos.
Com linguagem acessível, a autora percorre um universo religioso que permaneceu vivo durante muitos séculos e se espalhou por uma área muito maior do que o território da atual Grécia. Comunidades gregas ocuparam as costas da Ásia Menor, a orla do mar Negro, as ilhas dos mares Egeu e Jônico, o sul da Itália e a Sicília, além de cidades do norte da África e de outras regiões do Mediterrâneo. Depois das conquistas de Alexandre da Macedônia, no final do século IV a.C., essa presença avançou ainda mais, alcançando territórios entre o Egito e as margens do Indo.
A expansão geográfica ajuda Pantel a explicar também a diversidade do politeísmo grego. Ao chegar a novas regiões, os gregos levavam seus deuses, mas frequentemente incorporavam aos próprios cultos divindades e práticas locais. Estátuas de deuses gregos chegaram a ser encontradas em uma faixa que vai das costas da Espanha ao atual Afeganistão. Para a historiadora, compreender essa religião exige abandonar a ideia de que ela seria apenas uma etapa rudimentar anterior ao cristianismo: “precisamos parar de considerá-lo uma preparação imperfeita para a chegada de um monoteísmo triunfante”, escreve.
O livro mostra ainda que religião e vida política eram inseparáveis na pólis. Ao fundar uma cidade, um dos primeiros gestos dos gregos era reservar um espaço para o sagrado. No centro da comunidade ardia a chama de Héstia, enquanto altares, templos e santuários passavam a integrar a organização do território. “A cidade não pode existir sem seus deuses, e, reciprocamente, os deuses só são cultuados se a comunidade de gregos está viva”, resume Pantel.
É a partir desse contexto que ganham sentido também histórias que continuam presentes no imaginário contemporâneo. A autora explica o surgimento e as atribuições das divindades, os trabalhos impostos a Hércules, a trajetória trágica de Édipo e as relações entre deuses e mortais. Ao lado das figuras mais conhecidas do panteão, aparecem divindades menos célebres atualmente, mas fundamentais para entender a religião e a sociedade gregas.
Deuses e deusas da Grécia explicados às crianças apresenta, assim, os mitos sem separá-los do mundo que os produziu. As narrativas de aventuras, disputas, castigos e feitos extraordinários servem de entrada para conhecer uma civilização em que religião, política e vida comunitária estavam profundamente ligadas — e cuja imaginação continua presente na literatura, nas artes e na cultura contemporânea.
Sobre a autora – Pauline Schmitt Pantel é professora emérita de história grega na Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Especialista em antropologia histórica e na história das mulheres e do gênero na Antiguidade, publicou diversas obras de referência sobre o mundo grego. Sua carreira é marcada pelo estudo das práticas sociais e das divindades que moldaram a Grécia clássica.
Título: Deuses e deusas da Grécia explicados às crianças
Autora: Pauline Pantel
Tradução: Fernando Santos
Número de páginas: 120
Formato: 12 x 21 cm
Preço: R$ 39
ISBN: 978-65-5711-386-8
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