Em entrevista ao canal da Editora Unesp, Osvaldo Coggiola analisa a crise no Irã, seus antecedentes históricos e as transformações políticas no cenário global
Em entrevista ao canal da Editora Unesp no YouTube, o historiador Osvaldo Coggiola, autor do livro A Revolução Iraniana, analisa os desdobramentos recentes do conflito envolvendo o Irã e os Estados Unidos, situando a crise dentro de um cenário mais amplo de reorganização geopolítica. Ao longo da conversa, o professor ressalta que “não estamos falando de uma guerra localizada, mas de uma crise política de alcance mundial, que vai afetar todos os países do mundo”.
Antes de abordar os acontecimentos recentes, Coggiola retoma o processo histórico que levou à configuração do Irã contemporâneo — tema central de sua obra. Segundo ele, trata-se de uma sociedade marcada por longa trajetória de disputas internas e externas, que envolve desde a formação de um Estado nacional sob influência de potências estrangeiras até a Revolução de 1979. O historiador lembra que o país “foi afetado pela expansão russa, por um lado, e pela expansão inglesa, pelo outro”, além de ter passado por um golpe de Estado apoiado por Estados Unidos e Reino Unido em 1953, que consolidou uma monarquia autoritária. Esse percurso ajuda a compreender as tensões que atravessam o regime atual e a persistência de conflitos na região (a matéria continua depois do vídeo).
https://www.youtube.com/watch?v=k04Fes2MLiM
Ao analisar o cenário contemporâneo, Coggiola destaca que o ataque ao Irã deve ser compreendido dentro de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos. Para ele, a ofensiva não se limita à questão nuclear ou a disputas regionais, mas envolve interesses econômicos e políticos globais. Nesse contexto, afirma que “o que está acontecendo [...] faz parte de um cenário internacional estratégico”, marcado por ações militares, pressões políticas e bloqueios econômicos que atingem diversos países.
O historiador também chama atenção para o fato de que os objetivos iniciais da ofensiva não foram alcançados. Apesar das perdas no interior do regime iraniano, a estrutura política do país permanece em funcionamento e não houve adesão significativa da população à intervenção externa. Segundo ele, “o tiro está saindo pela culatra”, indicando que a guerra pode se prolongar e assumir proporções ainda mais amplas.
A análise ganha ainda maior alcance quando Coggiola desloca o foco para os Estados Unidos. Em uma das passagens mais contundentes da entrevista, afirma: “mais do que uma mudança de regime no Irã, estamos sendo testemunhas de uma mudança de regime nos Estados Unidos”. Para o historiador, o governo Trump apresenta características que tensionam o funcionamento das instituições democráticas, com centralização de poder e uso recorrente de decretos, o que pode aprofundar a crise política interna do país.
Por fim, Coggiola ressalta que os efeitos da crise já se fazem sentir em escala global, inclusive na América Latina, seja por meio de impactos econômicos — como o aumento do preço do petróleo —, seja pela intensificação de disputas políticas e interferências internacionais.
Nesse cenário, o historiador destaca também o papel das universidades e da produção acadêmica na compreensão dos conflitos contemporâneos. Para ele, é fundamental que esses temas sejam debatidos com profundidade e rigor, contribuindo para o esclarecimento público e evitando leituras simplificadas da realidade internacional. Em suas palavras, é preciso “tornar esses assuntos absolutamente claros” e ampliar o acesso ao conhecimento crítico como forma de enfrentar a complexidade do mundo atual.
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