Maria Ribeiro do Valle recupera vozes de operários e estudantes que protagonizaram o 1968 brasileiro

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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Autora investiga as greves de Contagem e Osasco e as aproximações entre movimentos operário e estudantil em meio à resistência à ditadura militar  

Quando se fala em 1968, a aproximação entre operários e estudantes costuma remeter quase imediatamente às mobilizações ocorridas na França. No Brasil, porém, as conexões entre esses dois movimentos são menos evidentes e permanecem como terreno de investigação histórica. É sobre essa relação que se debruça Protagonistas e intérpretes de 1968: silenciamento, ocultamento e memória, de Maria Ribeiro do Valle, lançamento da Editora Unesp que revisita a resistência à ditadura militar a partir das experiências e lembranças de personagens daquele período.

A autora concentra sua análise nas greves de Contagem, em Minas Gerais, e de Osasco, na região metropolitana de São Paulo, duas das principais paralisações operárias de 1968. Ocorridos após retrocessos nos direitos trabalhistas impostos pela cúpula militar, os movimentos são examinados no contexto das reconfigurações do sindicalismo brasileiro a partir de 1964, quando segmentos das organizações sindicais romperam com lideranças tradicionais e passaram a articular ações de enfrentamento mesmo diante da proibição de greves pela ditadura.

“Partimos da reflexão de que 1968, por conta de sua complexidade de eventos e interpretações, continua sendo um momento-chave para a compreensão do tempo presente”, escreve Maria Ribeiro do Valle. “Devido à sua vastidão e amplitude, aquele ano tem se destacado como um ponto de referência significativo e ainda não completamente explorado, em termos de análise, no campo científico-social.”

Desta forma, a pesquisa combina entrevistas com protagonistas da efervescência contestatória de 1968, documentos de arquivo e o diálogo com sociólogos e historiadores especializados no período. A partir desse conjunto, Maria Ribeiro do Valle acompanha o surgimento de novas formas de organização, com militantes atuando no interior das empresas, nos bairros e nos espaços de moradia dos trabalhadores, e investiga as experiências de aproximação entre os movimentos operário e estudantil.

Ao revisitar as interpretações historiográficas sobre o período, a autora também coloca a memória no centro da análise. Relatos pessoais e documentos ajudam a compreender os processos de silenciamento e ocultamento que atravessam a construção da história sobre os anos da ditadura e permitem observar como protagonistas e intérpretes elaboraram, ao longo do tempo, suas próprias experiências.

As conversas realizadas durante a pesquisa são reproduzidas integralmente ao final do volume, oferecendo ao leitor acesso direto às vozes mobilizadas pela autora e aos diferentes modos de recordar 1968. “Dar voz aos protagonistas e intérpretes de 1968”, anota a autora, “é um meio de resistir, no campo das disputas simbólicas em torno de sua memória e legado históricos, aos discursos negacionistas sobre os crimes da ditadura”.  

Sobre a autora –  Maria Ribeiro do Valle, nascida em Guaxupé, Minas Gerais, em 1968, graduou-se em ciências sociais pela Universidade de São Paulo. Tem mestrado e doutorado pelo Departamento de Ciências Sociais Aplicadas da Faculdade de Educação da Unicamp. É autora de 1968: O diálogo é a violência: movimento estudantil e ditadura militar no Brasil (Editora da Unicamp, 1999). Atualmente é professora da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara, além de coordenadora geral do CEDEM, o Centro de Documentação e Memória da Unesp.    

Título: Protagonistas e intérpretes de 1968: silenciamento, ocultamento e memória
Autora: Maria Ribeiro do Valle
Número de páginas: 376  
Formato: 13,7 x 21 cm
Preço: R$ 74
ISBN: 978-65-5711-375-2

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