Nestes ensaios, inéditos em português, elucida-se a importância de John Stuart Mill para a redefinição dos parâmetros da democracia moderna. Os dois primeiros textos resenham A democracia na América, publicada por Alexis de Tocqueville na década de 1830. Embora faça críticas ao autor francês, Mill não poupa elogios àquele que considera ser o primeiro livro filosófico sobre a democracia. Ao expor o caráter processual das instituições políticas e examinar a junção do governo representativo no nível federal com a participação direta dos cidadãos no âmbito municipal, Tocqueville permite a Mill pensar algo que à época parecia interditado pela filosofia: a representação democrática. O último texto intervém no debate sobre a reforma eleitoral inglesa e defende propostas para democratizar o governo representativo, que, ontem como hoje, tende fortemente à oligarquia. Longe de se limitarem ao século XIX, estes ensaios permanecem úteis para quem busca aproximar a representação política da democracia.
John Stuart Mill (Londres, 20 de Maio de 1806 — Avignon, 8 de Maio de 1873) foi um filósofo e economista britânico. É considerado por muitos como o filósofo de língua inglesa mais influente do século XIX.É conhecido principalmente pelos seus trabalhos nos campos da filosofia política, ética, economia política e lógica, além de influenciar inúmeros pensadores e áreas do conhecimento. Defendeu o utilitarismo, a teoria ética proposta inicialmente por seu padrinho, Jeremy Bentham. Além disso, é um dos mais proeminentes e reconhecidos defensores do liberalismo político, sendo seus livros fontes de discussão e inspiração sobre as liberdades individuais ainda nos tempos atuais.Mill chegou a ser membro do Parlamento Britânico, eleito em 1865, tendo defendido principalmente o direito das mulheres, chegando a apresentar uma petição para estender o sufrágio às mulheres.
O volume é uma coletânea contendo textos de Rousseau que dizem respeito diretamente à política e à administração pública. No livro, incluem-se as cartas trocadas entre Rousseau e o conde de Buttafoco, aristocrata e militar que foi adversário político do jovem Napoleão; o texto “Projeto de constituição para a Córsega”, que delineia suas ideias para uma constituição e um plano de governo para o país que então era independente; e “Considerações sobre o governo da Polônia e sua reforma projetada”, que discute uma possível nova constituição para a Polônia, aplicando os princípios elaborados por Rousseau em “Do contrato social” a problemas concretos.
Este livro apresenta três importantes ensaios de Thomas Henry Huxley, naturalista que, além de ter defendido a Teoria da Evolução de Darwin de importantes ataques, teve papel de destaque na vida intelectual inglesa do século XIX, escrevendo sobre muitos assuntos, como filosofia, educação e religião. Autor polêmico, participou de debates sobre temas delicados, como a relação entre ciência e religião e a origem dos seres humanos.
A relação entre Adorno e a psicanálise sempre foi um eixo maior de sua experiência intelectual. Sua perspectiva materialista e suas estratégias de crítica social são incompreensíveis se não levarmos em conta o que Freud lhe revelou a respeito da gênese do Eu e da estrutura pulsional da vida social. Neste volume, o leitor encontrará os textos de Adorno dedicados à construção de uma crítica social psicanaliticamente orientada. Em vários momentos, um modelo de crítica da razão como análise de patologias sociais se apresenta para permitir a compreensão mais precisa de fenômenos como o fascismo, a personalidade autoritária e os impactos psíquicos do capitalismo.
Muitas vezes tido como um dos pais das ciências sociais, o filósofo escocês Adam Ferguson ainda é, curiosamente, um ilustre desconhecido por grande parte do público brasileiro. Tendo formado com Adam Smith e David Hume a nata do Iluminismo escocês, que floresceu na transição entre os séculos XVIII e XIX numa Escócia ainda assolada pela pobreza e pelo atraso, Ferguson sempre teve como objeto central de seu pensamento a noção – anti-hobbesiana – de que o homem é um ser naturalmente social, destinado a viver em sociedade. É a partir desse princípio que ele desenvolve suas ideias sobre as formas como o gênero humano concilia valores morais em uma sociedade comercial.
Esses Ensaios de teatro e filosofia têm como fio condutor a filosofia de Diderot e Rousseau, em paralelo com o teatro forjado pela Contrarreforma. A autora faz uma leitura a contrapelo da tendência desconstrucionista, que passa ao leitor contemporâneo a falsa impressão de que Diderot tenha defendido a metafísica da presença, contra a representação. Rousseau trabalha na confluência de teoria da linguagem, moral, política e teatro. No âmbito ibérico, vemos as consequências políticas do entrecruzamento da comédia e da tragédia praticado pelo dramaturgo luso-brasileiro António José da Silva, o Judeu. Retrocedendo ao século XVII, o cartesianismo encontra terreno fértil nas tragédias de Corneille e o teatro do Século de Ouro é atravessado pelo jusnaturalismo defendido por Grotius. Na commedia dell’arte, o desbragamento é compatível com o dogma da Queda como apanágio do humano e com o excesso de dispêndio, próprio da sociedade de corte. Shakespeare assume o hermetismo concebido em Florença no Quatrocentos para caracterizar a personagem Ofélia como regida pelo elemento água; a própria catástrofe de Hamlet está associada a seu temperamento melancólico.