Um curso de Émile Durkheim frequentado e anotado por Marcel Mauss
Este volume apresenta as notas do curso ministrado por Émile Durkheim sobre Thomas Hobbes entre 1894 e 1895, registradas por seu aluno Marcel Mauss. Em um diálogo crítico com a filosofia política, Durkheim utiliza a análise de Hobbes para investigar os fundamentos da coesão social e o papel do Estado. Trata-se de uma possibilidade de vislumbrar os bastidores da formação da sociologia e a maneira como o mestre francês moldou a disciplina a partir de seus antecessores.
Émile Durkheim (1858-1917) foi um dos principais fundadores da sociologia moderna. Autor de obras seminais como O suicídio e As formas elementares da vida religiosa, estabeleceu o rigor metodológico e o objeto de estudo da disciplina, exercendo influência duradoura sobre as ciências sociais e a educação no século XX.
O grande zoólogo francês Lamarck (1744-1829) é conhecido por sua teoria pioneira sobre a transformação das espécies e da passagem de características entre gerações de indivíduos. Nesta obra, ele delineia esta teoria, buscando explicar como, sob pressão de diferentes circunstâncias externas, as espécies podem desenvolver variações, e que novas espécies e gêneros podem surgir como resultado.
Versando sobre a questão clássica da liberdade e da necessidade, além de outros temas centrais da filosofia, como a natureza do bem e do mal, da justiça, do fundamento do poder político, dentre outros, o presente debate é um precioso documento histórico do confronto entre um religioso adepto da tradição escolástica e um filósofo partidário da ciência moderna nascente. A querela de John Bramhall com Thomas Hobbes, iniciada em 1645, é uma controvérsia entre duas personalidades fortes e opostas, bem indicativa da situação da filosofia e da teologia da época.
Giacomo Marramao explora as características da modernidade e a função nela desempenhada pela intuição do tempo, tal como se condensa nas categorias de progresso, revolução e libertação. O ponto central do livro reside no desenvolvimento da nova categoria de sociedade antagonista, com a qual procura renovar o pensamento político de esquerda do nosso tempo, a partir do que chama uma ética transpolítica.
Que toda realidade seja concebida como processo em curso que depende de uma relação de interação; que todo real nunca seja analisável como entidade individual, mas como relação; que na origem de todo fenômeno haja, consequentemente, não uma, mas duas instâncias funcionando correlativamente (yin/yang, Terra/Céu, paisagem/emoção...), essa é a representação de base da cultura chinesa, cujas implicações podemos entender pela leitura de Wang Fuzhi (1619-1692). Ou seja, uma regulação ininterrupta do curso (tanto do mundo como da consciência), um vaivém do visível e do invisível em uma correlação essencial, uma afirmação dos valores que, sendo da ordem da natureza, não conduz a uma ruptura dualista ou a um “ser” metafísico. A leitura de François Jullien se diz problemática porque propõe entre “processo” e “criação” (como é entendida no Ocidente) uma alternativa que nos permite apreender o traço singular adquirido por um contexto de civilização, que foi assimilado como evidência e serve de forma (inconsciente) de racionalidade. Um modo também de redescobrir os partis pris ocultos em nosso próprio cogito.
A explosão das ilusões neoliberais promoveu a concepção de que os mercados financeiros, principalmente os sistemas funcionais que perpassam as fronteiras nacionais, criam situações problemáticas na sociedade mundial que os Estados individuais – ou as coalizões de Estados – não conseguem mais dominar. A política como tal, a política no singular, é desafiada em certa medida por tal necessidade de regulamentação: a comunidade internacional dos Estados tem de progredir para uma comunidade cosmopolita de Estados e dos cidadãos do mundo, levando adiante a juridificação democrática do poder político.