Tratado radical do século XVIII critica o poder absoluto e defende a felicidade humana
como princípio legítimo do governo
No coração do Iluminismo europeu, alguns pensadores levaram às últimas consequências a aposta na razão como instrumento de emancipação humana. Entre eles, destaca-se o barão de Holbach, figura central dos debates filosóficos parisienses e autor de obras que desafiaram frontalmente as bases religiosas e políticas do Antigo Regime. É nesse horizonte crítico que se insere A política natural: ou Discurso sobre os verdadeiros princípios do governo, do Barão de Holbach, traduzido por Regina Schöpke e Mauro Baladi, lançamento da Editora Unesp, que apresenta ao leitor de língua portuguesa um texto fundamental publicado originalmente em 1773.
Conhecido por seu ateísmo declarado e por ter sido anfitrião do célebre “salão dos filósofos”, Holbach recorreu ao anonimato nesta obra clandestina para desmontar os alicerces da autoridade tradicional. O autor sustenta que a política deve fundar-se na natureza humana e na observação empírica, e não em instâncias divinas. Para ele, a boa governança decorre da promoção da utilidade comum e da felicidade terrena, tratando a gestão pública como uma ciência racional, sujeita à lógica e à experiência, em oposição ao domínio da fé ou do arbítrio.
O “antigo magistrado” que assina o discurso não poupa críticas às autoridades que transformam a arte de governar em instrumento de exploração. Holbach argumenta que a miséria social e os males que afligem os povos são consequências diretas de sistemas baseados na tirania e na manipulação religiosa. Em oposição a essa ordem, defende que a legitimidade do poder reside no contrato social e que a função primordial do governo é assegurar liberdade, segurança e prosperidade aos cidadãos.
“A política, ou a arte de governar os homens, não pode ser uma ciência obscura, problemática e duvidosa a não ser para aqueles que não se dão ao trabalho de meditar suficientemente sobre a natureza humana e sobre a finalidade da sociedade”, escreve o autor no prefácio. “Eles descobrirão que a sã política não tem nada de sobrenatural e de misterioso, e que é possível deduzir dela um sistema político tão seguro quanto em qualquer um dos outros conhecimentos humanos.”
Sobre o autor – Escritor, filósofo e enciclopedista, Paul-Henri Thiry, o barão de Holbach (1723-1789), foi um importante expoente do Iluminismo na França. De origem alemã e expressão francesa, ficou conhecido por seu pensamento materialista e suas fortes convicções antirreligiosas. Holbach manteve um salão literário em Paris que foi um importante ponto de encontro dos intelectuais da época, frequentado por nomes como Diderot, D’Alembert, Buffon e Rousseau, entre outros. Dele, a Editora Unesp já publicou Etocracia e Sistema social.
Título: A política natural: ou Discurso sobre os verdadeiros princípios do governo
Autor: Barão de Holbach
Tradução: Regina Schöpke, Mauro Baladi
Número de páginas: 494
Formato: 13,7 x 21 cm
Preço: R$ 108
ISBN: 978-65-5711-280-9
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