Discursos sobre os verdadeiros princípios do governo
A relevância de A política natural transcende seu contexto histórico. As questões que Holbach levanta -- a origem legítima do poder, a relação entre governo e governados, a função da lei, a busca por uma sociedade mais justa -- continuam a ecoar nos debates contemporâneos. Ao desmistificar a política e ancorá-la em princípios racionais e humanistas, Holbach convida o leitor a uma reflexão crítica sobre a natureza do poder e os fundamentos da vida em comunidade.
Escritor, filósofo e enciclopedista, Paul-Henri Thiry, o barão de Holbach (1723-1789), foi um importante expoente do Iluminismo na França. De origem alemã e expressão francesa, ficou conhecido por seu pensamento materialista e suas fortes convicções antirreligiosas. Holbach manteve um salão literário em Paris que foi um importante ponto de encontro dos intelectuais da época, frequentado por nomes como Diderot, D’Alembert, Buffon e Rousseau, entre outros. Dele, a Editora Unesp já publicou Etocracia e Sistema social.
Etocracia propõe uma aliança inquebrável entre a moral e a política. O que está em jogo, para o barão d’Holbach, é nada menos que a velha arte de governar, que ele apresenta em novas roupagens, apelando a uma ordem natural onipresente que é também, em grande medida, onipotente. Para esse moralista, que é também um naturalista, o bom governo e a tirania jamais se confundem, e seria trágico querer tomar esta última, deplorável exceção, como regra ou verdade do governo dos povos.
Nesta obra, publicada em 1773, o Barão de Holbach expõe seu modelo de sociedade virtuosa. A clareza e a objetividade das definições apresentadas fazem deste escrito um verdadeiro dicionário filosófico no campo das relações humanas. O léxico conceitual é vasto (estima, hábito, interesse, justiça, liberdade, obrigação, prudência, sociabilidade, utilidade...) e compreende quadros teóricos interconectados: psicologia moral, pedagogia, estética, economia e crítica aos dogmas religiosos, além de reflexões sobre a guerra e uma teoria contratualista que estabelece forte diálogo com Grotius, Hobbes, Locke e Rousseau.
As primeiras manifestações do movimento que se tornaria a luta feminista moderna. O século XVIII, marcado pelo Iluminismo e suas ideias de liberdade e igualdade, foi um período crucial na história das mulheres. Enquanto a Europa se debatia com a crítica aos abusos políticos e religiosos, as mulheres, quase sempre relegadas à invisibilidade histórica, davam os primeiros passos de uma silenciosa revolução. Esta antologia traz textos originais da época, escritos por mulheres e homens que ousaram romper o silêncio sobre a condição feminina.
Neste livro, o argentino radicado no Brasil Héctor Luis Saint-Pierre, remando contra a maré antiesquerdista desses tempos neoliberais, oferece um estudo bem fundamentado dos aspectos estratégicos da guerra revolucionária, tanto do ponto de vista teórico quanto do de suas manifestações práticas ao longo da história. Analisando suas concepções a partir dos gregos e mostrando suas origens camponesas, no século XV, como reação espontânea e inconsciente da massa, o autor chega às modernas teorias antiespontaneístas de Lenin e de outros revolucionários, assim como às manifestações atuais da luta armada e do terrorismo. Longe de qualquer panfletarismo, trata-se aqui de um estudo sério e erudito, que faz um apanhado atualizado da questão, e que interessa não só a políticos, historiadores e cientistas sociais, mas ao público em geral.
O conjunto de entrevistas reunidas em A política e as letras apresenta ao leitor um Raymond Williams pouco conhecido do público brasileiro. Gestado com o intuito de discutir sistematicamente o pensamento do intelectual britânico, este livro propõe uma rara reflexão biográfica em que trajetória pessoal e reconstruções teóricas se conformam em um instigante debate sobre a própria atividade intelectual.