Publicação resgata pensamento radical do autor sobre conflagrações populares e democracia, a partir de episódios esquecidos da história brasileira
Em um cenário marcado por retrocessos democráticos e disputas sobre a memória histórica, recuperar vozes silenciadas se torna um gesto político. É nesse espírito que chega às livrarias Revoluções brasileiras, do escritor e crítico Gonzaga Duque, em edição revista e ampliada. A obra, organizada por Francisco Foot Hardman, Vera Lins e Danielle Crepaldi Carvalho, reintroduz ao debate público um texto raro e instigante.
Escrito pelo cronista, narrador, ativista e um dos primeiros críticos de arte moderna no Brasil, o livro reúne uma série de textos originalmente publicados em 1898 e 1905, nas primeiras edições organizadas pelo próprio autor. Depois de décadas de esquecimento — em grande parte por fugir dos cânones tradicionais e eurocêntricos das elites intelectuais brasileiras —, o volume foi resgatado em 1998 pela Editora Unesp, em parceria com o editor e bibliófilo Cláudio Giordano. Desde então, a publicação estava esgotada.
“Trata-se do desafio maior à nossa geração: o que poderá significar – para além de lenga-lengas de manuais, mídias podres e governantes, idem – um conceito de democracia social, popular ou socioambiental nos dias turbulentos e autoritários que este século XXI nos tem oferecido?”, provoca, nas orelhas, o professor Francisco Foot Hardman.
A estrutura do livro combina narrativa histórica e intervenção política. Começa com o Quilombo dos Palmares e a figura de Zumbi, passando por revoluções populares como a dos Cabanos, na Amazônia, e culmina com o grito de “Viva a República!”. Gonzaga Duque projetava a obra como paradidática, destinada à escola pública. Chegou, inclusive, a sugeri-la formalmente a secretarias estaduais de educação — sem sucesso na época.
Com texto renovado e comentários que contextualizam sua importância, o livro volta a circular como convite à releitura crítica do passado e à reflexão sobre o presente. Em tempos de ameaças à democracia e à memória histórica, a obra mostra que a luta por justiça e liberdade sempre teve — e continua tendo — vozes potentes, mesmo que por muito tempo silenciadas.
Sobre o autor – Luiz Gonzaga Duque-Estrada, nascido no Rio de Janeiro em 1863, foi escritor atuante no período entre 1880 e 1911, tanto como crítico de artes plásticas quanto como ficcionista, autor do romance Mocidade morta e dos contos de Horto de mágoas. Seu primeiro livro, A arte brasileira, é a referência principal até hoje para a arte que se fez no país, do período colonial até a virada do século XIX. Seus artigos de crítica, publicados na revista Kosmos, foram reunidos em dois volumes: Graves e frívolos e Contemporâneos.
Título: Revoluções brasileiras: resumos históricos – 2ª edição revista e ampliada
Autor: Gonzaga Duque
Organização: Francisco Foot Hardman, Vera Lins, Danielle Crepaldi Carvalho
Número de páginas: 299
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 78
ISBN: 978-65-5711-300-4
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