Resumos históricos
Esta reedição de Revoluções brasileiras resgata um clássico injustamente esquecido. Pioneiro da crítica de arte moderna e ativista radical, Duque nos oferece um “pequeno-grande panfleto” de surpreendente atualidade, que retorna em um momento crucial. O livro, que desafia os cânones eurocêntricos, convida a repensar a democracia social, popular e socioambiental em tempos turbulentos. De Palmares a Zumbi, da Cabanagem à República, Revoluções brasileiras é um grito de resistência que vale a pena ser lido e debatido.
Luiz Gonzaga Duque-Estrada, nascido no Rio de Janeiro em 1863, foi escritor atuante no período entre 1880 e 1911, tanto como crítico de artes plásticas quanto como ficcionista, autor do romance Mocidade morta e dos contos de Horto de mágoas. Seu primeiro livro, A arte brasileira, é a referência principal até hoje para a arte que se fez no país, do período colonial até a virada do século XIX. Seus artigos de crítica, publicados na revista Kosmos, foram reunidos em dois volumes: Graves e frívolos e Contemporâneos.
Vera Lins é professora titular aposentada da UFRJ. Foi pioneira no Brasil nos estudos sobre Gonzaga Duque, como crítico de arte e como escritor, tendo publicado: Gonzaga Duque: a estratégia do franco-atirador (Tempo Brasileiro, 1991), Gonzaga Duque: crítica e utopia na virada do século (FCRB, 1996), Novos pierrôs, velhos saltimbancos: os escritos de Gonzaga Duque e o final de século XIX carioca (EdUERJ, 2009), além de ter organizado a crítica de arte do autor em Contemporâneos: pintores e escultores (UFRJ, 2024).
Francisco Foot Hardman é professor titular na área de Literatura e Outras Produções Culturais da Unicamp. Foi professor visitante na Universidade de Pequim (2019-20). Publicou, entre vários livros, Trem-fantasma (Cia. das Letras, 2005), Ai Qing: Viagem à América do Sul (Editora Unesp, 2019 – em colaboração com Fan Xing), Meu diário da China: a China atual aos olhos de um brasileiro (PKU Press, 2021), A ideologia paulista e os eternos modernistas (Editora Unesp, 2022) e A vingança da Hileia (Editora Unesp, 2023).
Danielle Crepaldi Carvalho é pós-doutora pela ECA-USP e doutora em Teoria e História Literária pela Unicamp. Publicou O Teatro da Modernidade: as Artes na Exposição do Centenário da Independência (1922-1923) (Pedro e João, 2025), resultado de projeto desenvolvido na Fundação Biblioteca Nacional em 2021. É coorganizadora das coletâneas de artigos Cinema e História: circularidades, arquivos e experiência estética (Sulina, 2017) e Cinema, estética, política e dimensões da memória (Sulina, 2019).
Terceira edição revista e ampliada de um livro fundamental para pesquisas na área de história do trabalho e no campo das culturas entre operários. Desenvolve uma discussão crítica das contradições e problemas da existência de uma política cultural anarquista no Brasil. Estuda ainda a presença cultural do proletariado e das correntes libertárias no panorama literário pré-modernista da sociedade brasileira, mostrando os laços orgânicos entre a literatura social e o anarquismo.
O difundido retrato da suposta cordialidade brasileira, ilustrada pelos cenários carnavalescos ou pelo futebol, sistematicamente oculta a violência, latente ou explícita, do preconceito, da exclusão e da repressão sociais. A eficiência com que as elites ocultam essa face brutal de nossa sociedade exige um trabalho de rastreamento, de descobrimento de pistas que revelem o autoritarismo subjacente e forneçam uma interpretação mais justa. Os ensaios que compreendem este livro têm por objetivo justamente levar a cabo essa tarefa ao criticar a imagem e autoimagem da República.
Após cem anos da morte de Euclides da Cunha, o leitor tem pela primeira vez acesso ao conjunto integral de seu acervo poético. Quem já conhece a arte maior de sua prosa encontrará aqui o complemento ideal para a melhor compreensão da obra e do pensamento desse intelectual ímpar. Mas os versos também falam por si, e seus méritos decorrem da contribuição que acrescentam à história da cultura brasileira, da literatura, da crítica e da poesia.
Depois da repercussão de Os sertões, Euclides da Cunha concentrou esforços no desafio de "escrever a Amazônia". Embora inconclusa, devido à morte precoce, essa jornada literária motivou Francisco Foot Hardman a redigir alguns dos vinte ensaios que dão forma e rumo a este A vingança vde Hileia. Mas o livro não se atém apenas ao exame da prosa amazônica de Euclides em suas relações com outros escritores que tentaram representar a região, de Inglês de Sousa a José Eustasio Rivera, de Dalcídio Jurandir a Milton Hatoum. Trabalhando com o conceito de "poética das ruínas", Foot Hardman amplia e diversifica o quadro de análise, seja na critica às visões esquemáticas do Brasil moderno, seja no diálogo com as ciências humanas contemporâneas e com a modernidade literária internacional.
Este livro reúne pela primeira vez os poemas da memorável e seminal viagem de Ai Qing pela América do Sul em 1954, na ocasião do cinquentenário de Pablo Neruda. A passagem por Brasil e Chile possibilitou o contato com intelectuais de várias partes do mundo, entre os quais os brasileiros Jorge Amado e Zélia Gattai, e deu origem a interlocuções que atravessariam as décadas seguintes. Os poemas de Viagem à América do Sul foram traduzidos diretamente do chinês e chegam agora ao leitor brasileiro em edição bilíngue.