Para economista, a solidariedade na economia só pode se realizar se ela for organizada igualitariamente pelos que se associam para produzir, comerciar, consumir ou poupar
(Foto: Caroline Ferraz/Sul21)
“Não creio que vá mudar totalmente a sociedade em menos de cem anos, por exemplo. Mas o importante não é saber aonde vai chegar, não é saber que tipo de socialismo vai ser construído: importante é a trajetória.” Com essas palavras, o economista Paul Singer (1932-2018) sintetiza uma trajetória pautada pelo engajamento da economia em prol do desenvolvimento pleno da sociedade. E, para desenvolvê-la, um dos elementos que considerava essencial era a economia solidária, conceito que traz em Economia solidária: introdução, história e experiência brasileira, coedição da Editora Unesp e da Fundação Perseu Abramo, organizada por seus três filhos: André, Helena e Suzana Singer, que acaba de ganhar nova tiragem.
De acordo com Luiz Inácio Lula da Silva, que assina a Introdução à obra, “para pessoas como eu, que nunca acreditaram na viabilidade de um socialismo em que o Estado tudo decide, nem conseguem imaginar uma sociedade baseada no igualitarismo absoluto, que anestesia o impulso que cada um de nós tem de crescimento, este estudo de Singer vale como um bálsamo e como verdadeira fonte de luz.” Segundo ele, “nas páginas deste livro se encontram sólidos argumentos reafirmando a necessidade de buscarmos uma forma de organização social e econômica que ultrapasse as potencialidades oferecidas à humanidade pelo capitalismo, superando as desigualdades que lhe são inerentes”.
“Paul Singer encontrou-se com a economia solidária depois dos 60 anos de idade e foi um encontro definitivo, que o faria resgatar e reinventar diversos aspectos de sua produção intelectual, bem como da trajetória como gestor público e de sua militância política”, escreve na apresentação da obra uma das organizadoras, Helena Singer.
Os nove textos que compõem este segundo volume da Coleção Paul Singer foram escritos entre 2001 e 2013 e, no conjunto, oferecem uma visão ampla sobre os princípios, conceitos e histórico da economia solidária no mundo, tendo a experiência brasileira como referência para políticas públicas comprometidas com a superação da pobreza e da heteronomia no trabalho, o fortalecimento da democracia e a conquista de uma vida melhor para todos.
“A crítica à cultura individualista é a tarefa de conteúdo ideológico e programático em curso”, pontua, nas orelhas, Tatiane Valente, da Rede Tapiri Amazonas. “Paul nos trouxe muitos ensinamentos, entre os quais destaco seus escritos sobre a autogestão como desenvolvimento humano que proporciona aos praticantes. A economia solidária é fruto da sociedade civil organizada, um modo de produção que visa enfrentar o capitalismo. Paul Singer confirma, assim, a importância das experiências como aprendizado que proporciona aos segmentos da classe trabalhadora assumir coletivamente a gestão de empreendimentos produtivos e operá-los, segundo princípios democráticos e igualitários.”
Segundo Paul Singer, “o florescer de uma profusão de economias solidárias ou sociais ou humanas ou como quer que se denominem é a garantia de sua viabilidade, pois a vocação da humanidade não é a uniformização”.
Para não perder nenhuma novidade, siga a Editora Unesp no Facebook, Instagram, TikTok e inscreva-se em seu canal no YouTube.
Assessoria de Imprensa da Fundação Editora da Unesp
imprensa.editora@unesp.br