Editora Unesp reúne ensaios em que o filósofo inglês examina democracia, participação, reforma parlamentar e os limites do governo representativo no século XIX
Democracia e representação política parecem hoje conceitos inseparáveis, mas nem sempre caminharam juntas. A primeira remete à ideia de poder exercido pelo povo; a segunda surgiu em contextos monárquicos, como forma de tornar politicamente presente uma coletividade ausente. É justamente a aproximação histórica entre essas duas tradições que está no centro de Ensaios sobre democracia e representação política, de John Stuart Mill, lançamento da Editora Unesp com tradução e apresentação de Gustavo Hessmann Dalaqua.
Considerado um dos principais pensadores ingleses do século XIX, Mill participou intensamente dos debates de seu tempo sobre governo, liberdade e participação política. Para ele, a combinação entre democracia e representação podia oferecer uma resposta aos desafios das sociedades modernas, desde que o sistema político fosse capaz de ampliar a participação e evitar a concentração do poder em grupos restritos.
Os dois primeiros textos do volume nasceram da leitura de A democracia na América, de Alexis de Tocqueville, publicado originalmente em 1835. Mill reconhece no livro uma contribuição decisiva para o estudo moderno da democracia, sobretudo pela atenção dada às instituições locais e ao caráter histórico dos regimes políticos. Ao mesmo tempo, aponta limites na análise do pensador francês, especialmente no tratamento do trabalho escravo, da sujeição das mulheres e do papel dos conflitos na vida política.
Esse diálogo com Tocqueville permite a Mill desenvolver algumas das questões que marcariam sua própria concepção de governo representativo. A democracia não aparece apenas como uma forma de escolher governantes, mas como processo capaz de formar politicamente os cidadãos. Participar da vida pública, nesse sentido, tem também uma dimensão pedagógica: amplia a capacidade de julgamento, estimula o envolvimento com questões coletivas e fortalece a própria experiência democrática.
No ensaio “Pensamentos sobre a reforma parlamentar”, o filósofo avança sobre temas que retomaria posteriormente em Considerações sobre o governo representativo. Mill critica o caráter oligárquico das instituições políticas de sua época e defende mecanismos capazes de tornar a representação mais abrangente, entre eles a representação proporcional. A preocupação central está em encontrar formas de conciliar participação popular, pluralidade política e funcionamento institucional.
Reunidos em um mesmo volume, os textos mostram como a noção moderna de democracia representativa foi sendo construída em meio a debates sobre inclusão, participação e limites do poder. Ao recuperar esse momento de formação do pensamento político contemporâneo, a coletânea permite compreender por que temas discutidos por Mill no século XIX — quem é representado, como se distribui o poder e quais condições tornam uma democracia efetivamente participativa — continuam presentes nas discussões políticas atuais.
Sobre o autor - John Stuart Mill (1806-1873) foi um economista político, filósofo e político inglês. Quase universalmente considerado o principal pensador anglófono do século XIX, Mill está na gênese das ideias do liberalismo e do liberalismo social, e contribuiu de forma ampla e influente nos debates de sua época nos campos da teoria social, da teoria política, da economia e da ética.
Título: Ensaios sobre democracia e representação política
Autor: John Stuart Mill
Tradução e apresentação: Gustavo Hessmann Dalaqua
Número de páginas: 212
Formato: 13,7 x 21 cm
Preço: R$ 72
ISBN: 978-65-5711-333-2
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