Lançamentos na Biblioteca Mário de Andrade celebram centenários de 'Pau Brasil' e de Blaise Cendrars no Brasil

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domingo, 16 de agosto de 2026

Encontro reúne Gênese Andrade e Carlos Augusto Calil em conversa mediada por Carolina Casarin sobre modernismo, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e a presença decisiva do escritor suíço-francês no Brasil
(Detalhe do retrato de Cendrars pintado por Amedeo Modigliani | Wikipédia)  

A Biblioteca Mário de Andrade recebe, no dia 1º de setembro, às 19h, o lançamento conjunto de dois livros dedicados a momentos decisivos do modernismo brasileiro:Pau Brasil 100 anos: o Manifesto e o livro no calor da hora, organizado por Gênese Andrade e publicado pela Editora Unesp, e A aventura brasileira de Blaise Cendrars, de Alexandre Eulalio, em edição revista e ampliada por Carlos Augusto Calil, publicada pela Edusp. A conversa com os organizadores terá mediação de Carolina Casarin.

A data do encontro amplia o diálogo entre as obras e seus personagens centrais. Em 1º de setembro, celebram-se os aniversários de Tarsila do Amaral, que completaria 140 anos em 2026, e de Blaise Cendrars, que completaria 139. O evento também se insere em um ciclo de efemérides modernistas: o centenário do Manifesto da Poesia Pau Brasil, publicado em 1924; o centenário do livro Pau Brasil, lançado em 1925; as viagens de Cendrars ao Brasil, em 1924, 1926 e 1927; e o centenário da primeira exposição individual de Tarsila na Galerie Percier, em Paris, realizada em 1926.

Organizado por Gênese Andrade, Pau Brasil 100 anos revisita a criação, a circulação e as polêmicas em torno do primeiro livro de poemas de Oswald de Andrade. Além de recuperar os poemas da edição original, o volume reúne a reprodução fac-similar da publicação de 1925, o Manifesto da Poesia Pau Brasil, manuscritos, esboços das ilustrações e da capa de Tarsila do Amaral, cartas, notas sociais, textos críticos e documentos que reconstituem a recepção imediata da obra no calor da década de 1920.

Ao transformar o nome de uma árvore ligada à exploração colonial em símbolo de ruptura estética e invenção cultural, Oswald de Andrade propôs uma poesia capaz de redescobrir o Brasil por sua própria linguagem. A chamada “poesia para exportação” provocou intensos debates estéticos e ideológicos, mobilizando escritores, críticos e intelectuais como Tristão de Athayde, Menotti Del Picchia, Carlos Drummond de Andrade e Mário Graciotti. “Os jorná só fala de Pau Brasil. As moça também”, escreveu Oswald em uma das cartas reproduzidas no volume, registrando a repercussão da obra entre o entusiasmo e a controvérsia.

A aventura brasileira de Blaise Cendrars retoma a presença do escritor suíço-francês no Brasil e seu papel como figura catalizadora do modernismo brasileiro. Publicado originalmente em 1978 por Alexandre Eulalio, o livro ganha uma terceira edição revista e ampliada por Carlos Augusto Calil, resultado de atualizações e de pesquisa permanente sobre o tema. A obra reúne textos, fac-símiles, fotografias, desenhos e documentos que ajudam a reconstruir a relação do autor com o Brasil e com nomes como Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Paulo Prado, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Carlos Drummond de Andrade e Sérgio Milliet, entre outros.

Além de acompanhar a passagem de Cendrars pelo país, a “edição do centenário” evidencia a rede de relações intelectuais, artísticas e afetivas mobilizada por sua presença no Brasil. O volume combina ensaio, crônica, reportagem, seleta, livro de figuras e documentação histórica, compondo uma espécie de “livro-ônibus”, como define Alexandre Eulalio no prefácio, capaz de reunir diferentes registros do projeto modernista. A pesquisa no arquivo do escritor, em Berna, permitiu a Calil ampliar o conjunto original com novos materiais e testemunhos, reforçando a importância de Cendrars como interlocutor de uma geração que buscava reinventar os modos de pensar, escrever e representar o Brasil. Cendrars foi decisivo na inserção do casal Tarsiwald no ambiente intelectual e artístico de Paris na década de 1920, assim como na publicação de Pau Brasil, a ele dedicado, e na primeira exposição da obra de Tarsila em junho de 1926 na Galerie Percier.

Aproximando Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Blaise Cendrars, o lançamento propõe uma leitura cruzada de obras, viagens, imagens, documentos e debates que ajudaram a redefinir há cem anos os caminhos da arte e da literatura brasileira no século XX. É um convite para que o público revisite o modernismo como campo vivo de circulação internacional, invenção formal, crítica colonial e disputas em torno da ideia de Brasil.  

Sobre os participantes

Gênese Andrade é professora universitária, pesquisadora independente e tradutora. É autora de Pagu/ Oswald/ Segall e Vicente do Rego Monteiro, entre outros livros, e organizadora de obras dedicadas ao modernismo brasileiro e à obra de Oswald de Andrade. Pela Editora Unesp, organizou Arte do Centenário e outros escritos, publicado em 2022, e 1923: os modernistas brasileiros em Paris, lançado em 2024. Em Pau Brasil 100 anos: o Manifesto e o livro no calor da hora, volta ao universo oswaldiano para revisitar a criação, a circulação e a recepção de um dos livros centrais do modernismo brasileiro.

Carlos Augusto Calil é cineasta, crítico, ensaísta e professor aposentado do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicação e Artes da USP. Referência no campo do audiovisual, produziu documentários, é curador da obra cinematográfica de Glauber Rocha e Leon Hirszman e organizou mais de 30 publicações sobre cinema, iconografia, teatro, história e literatura. Coautor de A aventura brasileira de Blaise Cendrars. Curador do site e da exposição “Morada do coração perdido”, montada na casa em que viveu Mário de Andrade. Gestor cultural, dirigiu instituições como Cinemateca Brasileira, Embrafilme, Centro Cultural São Paulo e Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Carolina Casarin é escritora, professora, pesquisadora e figurinista. Autora de O guarda-roupa modernista: o casal Tarsila e Oswald e a moda, é doutora em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com doutorado sanduíche no Institut d’Histoire du Temps Présent, em Paris. Sua atuação está centrada no campo da história do vestuário e da moda, com foco nas relações entre moda, arte e literatura. Atualmente, desenvolve pesquisa de pós-doutorado no Instituto de Estudos Brasileiros da USP sobre os modos de vestir de Mário de Andrade.  

Serviço - Lançamento de Pau Brasil 100 anos e A aventura brasileira de Blaise Cendrars
Conversa com Gênese Andrade e Carlos Augusto Calil
Mediação: Carolina Casarin

Data: 1º de setembro de 2026
Horário: 19h
Local: Biblioteca Mário de Andrade
Endereço: Rua da Consolação, 94, República, São Paulo (SP)

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