Eis aqui um dossiê: a reprodução fac-similar da primeira edição do livro Pau Brasil (1925) e do “Manifesto da Poesia Pau Brasil” (1924), ambos de Oswald de Andrade, seguida de alguns manuscritos e outros documentos que permitem admirar a obra e acompanhar seu processo de criação. O volume é composto de duas partes. A seção “Recortes” reúne a fortuna crítica do livro no calor da hora – mais de cinquenta textos críticos publicados em jornais e revistas (1924 a 1927) –, e a seção “Entre cartas e notas” percorre a correspondência dos modernistas e as notas sociais, dando conta dos périplos do poeta, assim como dos bastidores das polêmicas. À maneira de prefácio e posfácio, dois ensaios da organizadora contemplam a obra, sua recepção e seus desdobramentos ao longo do tempo. Diante deste conjunto, confirmam-se, cem anos depois, as palavras de João Ribeiro: “O sr. Oswald de Andrade com o Pau Brasil marcou definitivamente uma época na poesia nacional”.
Gênese Andrade é professora universitária, pesquisadora e tradutora. Autora, entre outros, de Pagu/ Oswald/ Segall (Museu Lasar Segall; Imesp, 2009) e Artistic Vanguards in Brazil, 1917-1967 (Oxford Research Encyclopedia of Latin American History, 2019). Organizadora de Oswald de Andrade, Feira das Sextas (Globo, 2004), Modernismos 1922-2022 (Companhia das Letras, 2022) e de Correspondência Mário de Andrade & Oswald de Andrade (Edusp; IEB, no prelo). Co-organizadora de Un diálogo americano: Modernismo brasileño y vanguardia uruguaya (Universidad de Alicante, 2006) e de Oswald de Andrade, Manifesto Antropófago e outros textos (Companhia das Letras, 2017). Pela Editora Unesp, organizou Arte do Centenário e outros escritos, de Oswald de Andrade (2022) e 1823: Os modernistas brasileiros em Paris (2024).
Publicado em 1920, 18 anos depois de Os sertões, de Euclides da Cunha, oferece uma fascinante visão dos diversos episódios que envolvem o beato Antônio Conselheiro, uma das figuras mais controversas da história brasileira em sua ambivalente posição de herói de multidões politicamente reprimidas e/ou de fanático religioso.
Este livro reúne dezoito textos escritos por Oswald de Andrade entre 1920 e 1922, publicados no Jornal do Commercio, no Correio Paulistano e na revista A Rajada, e uma entrevista publicada na Gazeta de Notícias – boa parte deles, inédita em livro. Vigorosos exemplares do estilo afiado do autor, permitem que se tenha acesso, um século depois, ao caldo cultural que culminou na Semana de Arte Moderna de 1922.
Em 1923, Paris foi palco de uma notável presença de artistas modernistas brasileiros, muitos dos quais haviam participado da Semana de Arte Moderna de 1922. Vicente do Rego Monteiro, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Victor Brecheret e Villa-Lobos destacaram-se em eventos culturais prestigiados. Entre 1923 e 1924, Oswald de Andrade, Sérgio Milliet e Emiliano Di Cavalcanti enviaram crônicas ao Brasil, agora reunidas neste volume, que inclui textos inéditos. Além disso, especialistas de diversas áreas oferecem uma visão abrangente da influência brasileira em Paris, explorando a interação com vanguardistas europeus e a consolidação do modernismo.
São Manuel Bueno, mártir traz um dilema existencial: um pároco que esconde a descrença para sustentar a fé de sua comunidade. Tem-se assim o embate entre o valor da verdade, ainda que dura, e a virtude de uma ilusão consoladora. A novela de dom Sandalio, jogador de xadrez, Um pobre homem rico e Uma história de amor completam o volume, explorando temas caros a Unamuno como a identidade, a solidão e a complexa relação entre a ficção e a vida.
Livro que procura discutir parte da obra de Guimarães Rosa como sendo a de um intérprete do Brasil, de forma peculiar (como afirma o autor) que, nos seus três primeiros livros, apreciou os costumes da vida pública junto aos da vida privada, os familiares e amorosos, próprios do romance. Demonstra como as três obras iniciais de Rosa, Sagarana, Corpo de baile e Grande sertão: veredas, se relacionam e se imbricam, podendo as duas primeiras ser consideradas como estudos preparatórios para Grande sertão. Nessa perspectiva, o autor investiga a genealogia e a formação do herói jagunço; a gestação dos paradigmas amorosos de Grande sertão, já incubados em Sagarana e desenvolvidos num dos romances de Corpo de baile; e a teatralização do drama civilizatório no Brasil.