Obra máxima de Lamarck ganha edição em português pela primeira vez

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segunda-feira, 14 de junho de 2021

Escritos do naturalista francês desdobram a teoria “transformista da vida”, levantada por ele em 1802 e que prevê que as espécies de vida são resultado de múltiplas transformações ao longo do tempo 

“A influência das circunstâncias atua, efetivamente, em todos os tempos e lugares, sobre os corpos que gozam de vida”, escreveu o naturalista francês Lamarck em 1809, antecipando um raciocínio sobre o desenvolvimento das espécies que viria ser ampliado e remodelado nas décadas seguintes: a teoria transformista da vida. “O que torna essa influência difícil de perceber é o fato de que seus efeitos só são sensíveis ou identificáveis (sobretudo nos animais) após um longuíssimo tempo de atuação”, completa. Pois é esta tese que ganha forma em Filosofia Zoológica, publicado pela Editora Unesp pela primeira vez em língua portuguesa.

“Se em 1802 a análise da teoria transformista tem caráter hipotético, em 1809, com a Filosofia Zoológica – que não é uma “investigação”, mas um tratado –, ela se torna demonstrativa, sendo respaldada pelo peso de duas leis fundamentais da organização vivente”, anotam na apresentação as tradutoras da obra Celi Hirata, Janaina Namba e Ana Carolina Soliva. “1ª) O uso e desuso das partes, constatação de que o uso tende em geral a promover o aumento, o desenvolvimento e mesmo a produção de órgãos, enquanto o desuso tende em geral a diminuir, enfraquecer e mesmo suprimir órgãos existentes; e 2ª) a transmissão dessas modificações de uma geração para as seguintes. A narrativa do capítulo em que essa teoria é exposta tem um tom claro e assertivo.”

A obra se divide em três grandes eixos. No primeiro, o autor faz considerações sobre a História Natural dos animais, apresentando suas características e relações, organização, distribuição e classificação, e suas espécies. No segundo, elenca as causas físicas da vida, as condições para que ela possa existir, a força excitatória de seus movimentos, as faculdades que ela confere aos corpos que a possuem e os resultados de sua existência nesses corpos, apresentando aí o coração de sua teoria transformista da vida, que prevê as espécies como resultado de múltiplas transformações ao longo dos anos. E, por fim, no terceiro, dedica-se às complexidades do ser humano, tido por ele como o mais perfeito dos animais. 

“A Filosofia Zoológica é um clássico que exige ser lido por si mesmo”, reforçam as tradutoras. “Retornando hoje às páginas de Lamarck – ou abrindo-as pela primeira vez em língua portuguesa –, o leitor poderá experimentar por conta própria o estranho fascínio que elas provocam, uma sensação de estar diante de nada menos que uma reinvenção da ideia de Natureza, não mais a plácida ordem teleológica dos filósofos, tampouco o mundo harmonioso criado por uma inteligência divina (o Deus de Lamarck é apenas um nome!), mas um processo constante da penosa afirmação da vida com relação a seu meio que muitas vezes a agride e a violenta, mas que sobretudo a modifica e a reitera.”

Sobre o autor

Jean-Baptiste-Pierre-Antoine de Monet, chevalier de Lamarck (1744-1829) foi um naturalista francês que se dedicou ao estudo da medicina e depois ao da botânica. Embora a ideia de que a vida não fosse fixa, mas mudasse ao longo do tempo já existisse antes de Lamarck, sua teoria é a primeira considerada coesa de evolução biológica. Lamarck personificou as ideias pré-darwinistas sobre a evolução.

Título: Filosofia Zoológica
Autor: Jean Baptiste Pierre Antoine Lamarck
Tradução e apresentação: Celi Hirata, Janaina Namba e Ana Carolina Soliva
Número de páginas: 587 
Formato: 16 x 22 cm
Preço: R$ 138
ISBN: 978-65-5711-042-3

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