Reflexões para a virada do ano

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sábado, 26 de dezembro de 2015

Fechamento do um ciclo, início de outro. Momento para avaliarmos o passado, planejarmos o futuro e repensarmos o presente. Momento de questionarmos o próprio sentido de felicidade e refletirmos sobre a esperança. Nesse sentido, vários títulos podem se configurar como oportunas sugestões de leitura. 

Em Esperanças, Paolo Rossi convida o leitor a refletir sobre esse sentimento que parece acompanhar o ser humano desde os primórdios, assumindo diferentes facetas ao longo dos tempos. 

Após discorrer criticamente sobre os diversos conceitos de esperança, abordando inclusive a desesperança, ele sugere que se cultive apenas esperanças “sensatas”. Para o filósofo italiano, o mundo é por natureza desigual e por isso estaria eternamente sujeito a conflitos, o que torna a “Grande Esperança” uma simples e ingênua quimera. Mas esse mesmo mundo vem promovendo conquistas inquestionáveis e de forma acelerada para um número cada vez maior de pessoas, ambiente que desmonta igualmente as previsões apocalípticas.

O que é a felicidade? Uma pergunta abrangente, de respostas relativas e inúmeras interpretações possíveis. O homem lançou para si esta questão ao longo dos séculos, almejando sempre uma forma de alcançar este estado de graça e absoluto contentamento. Mas como esta procura se moldou de acordo com os momentos vividos pela humanidade? Em A idade de ouro, uma obra que apresenta um estudo sem precedentes, Georges Minois investiga, pelo viés da História, partindo desde a Antiguidade até o século XXI, a obstinada busca do ser humano pela felicidade.

Bent Greve também questiona o conceito de felicidade. É possível medir o nível de felicidade das pessoas, comunidades e nações? Qual é a importância para as sociedades de ampliar o conhecimento acerca da felicidade, naturalmente perseguida pelo ser humano desde os tempos mais remotos? Em Felicidade, Greve apresenta com notável competência os estudos mais recentes sobre o conceito e a medição da felicidade. Com uma abordagem múltipla do tema – filosófica, econômica, psicológica e sociológica – ele apresenta uma nova visão para a compreensão do conceito, especialmente relevante na era contemporânea.

Para encerrar com um clássico, a dica fica com Carta sobre a felicidade (a Meneceu), em que o filósofo grego Epicuro (341 a.C.- 270 a.C.) discorre sobre o sentido da felicidade: “Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la..."