Ruth Lanna e Pedro Paulo Pimenta trazem à luz escritos decisivos de Gérard Lebrun

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domingo, 14 de dezembro de 2025

Coletânea recupera textos raros do filósofo francês produzidos no efervescente
ambiente intelectual da USP entre 1962 e 1966  

Quando Gérard Lebrun chega à Universidade de São Paulo, em 1961, encontra uma cultura em ebulição. Professor recém-formado, com pouca experiência docente, nada indicava tratar-se de um filósofo maduro, escritor consumado e polemista vigoroso. Mas essas qualidades logo se evidenciam a partir de 1962, quando começam a surgir textos e ensaios que transitam entre o comentário dos clássicos e questões de filosofia contemporânea. É nesse contexto que A racionalidade equívoca: inéditos e dispersos, de Gérard Lebrun, organizado por Ruth Lanna e Pedro Paulo Pimenta e lançado pela Editora Unesp, reúne materiais escritos entre 1962 e 1966, período em que sua atividade se estende também à Aliança Francesa de São Paulo e à Maison de France, no Rio de Janeiro.

A coletânea revisita momentos centrais da atuação de Lebrun no Brasil, incluindo sua interlocução com Michel Foucault, que chega à USP em 1965 para ministrar um curso baseado no manuscrito de As palavras e as coisas. Quando retorna à França, em 1966, Lebrun deixa um rastro intelectual que, como diria Bento Prado Jr., inaugura uma nova era para a filosofia paulista, marcada pela especialização e pelo rigor formal. Os textos aqui reunidos revelam um pensador atento às questões mais áridas e aos conceitos mais rarefeitos, sem jamais perder de vista a atualidade da filosofia e suas condições de possibilidade.

Ao confrontar o projeto filosófico de Jean-Paul Sartre, Lebrun revisita Hegel e Bergson, recupera os méritos do jovem Marx contestados por Althusser, destaca a lucidez política de Merleau-Ponty e explora a dimensão filosófica da etnologia de Lévi-Strauss. Há ainda um desvio pela literatura, em que Valéry e Genet surgem como contramodelos ao Sartre de As palavras, romance publicado em 1964, ano em que o escritor recusa o Prêmio Nobel de Literatura. A elegância analítica e a precisão conceitual do jovem filósofo revelam não apenas seu domínio crítico, mas o impacto formativo que exerceu sobre colegas e estudantes.

A redescoberta desses inéditos oferece um retrato mais nítido da filosofia praticada na Maria Antonia. Em cada texto se percebe o prazer da reflexão, o rigor da interpretação e a busca constante da pertinência filosófica, traços que tornaram Lebrun uma referência incontornável. Como sintetiza Pedro Paulo Pimenta, trata-se de um pensamento que interpreta o mundo, decifra a história e se interroga, com vigor, sobre suas próprias condições de enunciação.  

Sobre o autor – Gérard Lebrun (Paris, 1930-1999) formou-se em filosofia pela Sorbonne. Iniciou sua carreira como professor no liceu franco-muçulmano de Argel (1955-1959), seguido pelo liceu de Rennes (1959-1960). Em 1960, assumiu a cátedra de filosofia na Universidade de São Paulo, substituindo Gilles-Gaston Granger até 1966. Concluiu seu doutorado sob orientação de Georges Canguilhem em 1970, defendendo teses sobre Kant e Hegel. Lebrun retornou à França, tornando-se professor na Universidade de Provence Aix-Marseille I. Retornou ao Brasil em 1973, lecionando na USP por seis anos e alternando semestres letivos entre Aix-en-Provence e São Paulo até os anos 1990. De sua autoria, a Editora Unesp já publicou A paciência do conceito e A vingança do bom selvagem e outros ensaios.

Título: A racionalidade equívoca: inéditos e dispersos
Autor: Gérard Lebrun
Organização: Ruth Lanna, Pedro Paulo Pimenta
Posfácio: João Quartim de Moraes
Número de páginas: 350
Formato: 13,7 x 21 cm
Preço: R$ 79
ISBN: 978-65-5711-287-8  

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