Ao evitar a dilatação semântica que muitas vezes esvazia o termo “fascismo” no debate contemporâneo, Sabino Cassese nos convida neste livro a observar as minúcias da máquina pública. Compreender como o Estado fascista foi construído, muitas vezes reaproveitando as leis e os quadros da democracia que o precederam, é um exercício vital de inteligência política. A obra nos lembra que os regimes de exceção não nascem apenas da violência, mas também da manipulação habilidosa das engrenagens institucionais.
Sabino Cassese, juiz emérito da Corte Constitucional da Itália, é professor emérito da Escola Normal Superior de Pisa. Entre seus livros, destacam-se: L’Italia: una società senza Stato? (2011), Chi governa il mondo? (2013), Diritto amministrativo. Una conversazione (com L. Torchia, 2014), Governare gli italiani. Storia dello Stato (2014) e Dentro la Corte. Diario di un giudice costituzionale (2015).
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Corsi retorna à época do Estado Novo a fim de compreender a relação entre as diretrizes da política externa e a implementação de um projeto nacional. As vantagens políticas e econômicas alcançadas por Getúlio Vargas, na esfera das relações internacionais, aparecem como peça fundamental na costura da unidade nacional e da viabilização do processo de industrialização. Inserção mundial e consolidação nacional são assim avaliadas com base em uma óptica renovada.
O mercado da morte é um convite à reflexão e à indignação. Após se debruçar sobre a criminalidade que prolifera à sombra – em Máfia, poder e antimáfia, obra vencedora do Jabuti de Ciências Sociais –, Maierovitch agora se concentra na violência de Estado. Neste percurso, leva-nos a enxergar a dimensão real da ameaça representada pelos “mercadores da morte”, que operam à luz do dia, redefinindo nossa era e confrontando-nos com a urgência de defender a convivência civilizada e o valor inestimável da vida humana. Uma leitura essencial para compreender a anatomia de um sistema que, sob a máscara da defesa, semeia o ataque e a destruição.
Este livro é resultado de um esforço coletivo: o de publicar reflexões sobre o tema da anistia; o de reunir pessoas para debater sobre a história política recente de nosso país, sobre as lutas travadas em favor da democracia, sobre as conquistas e derrotas dos movimentos, sobre os direitos humanos, sua violação e a impunidade que rodeia esta questão. É também resultado de um esforço que se iniciou pouco depois dos primeiros abusos da ditadura militar, com as primeiras lutas pela liberação dos presos políticos, pulverizadas em ações pontuais que mais tarde se constituiriam em uma grande campanha nacional pela anistia no Brasil.
A Era Vargas reúne ensaios que procuram retratar o contexto e o significado histórico do projeto varguista. Em comum, os textos compartilham a perspectiva de que, se é verdade que a ação pessoal não é o motor da história, em certas ocasiões, sobretudo em momentos de crise de modelo, a ação política assume papel crucial para encaminhar soluções emergenciais e rotas estratégicas para o desenvolvimento nacional.
A fisiocracia foi muito mais do que a primeira escola de pensamento econômico da história. O grupo formado e liderado pelo cirurgião e médico da corte de Luís XV, François Quesnay, compartilhava um sistema teórico bastante sofisticado e coeso, produto de uma visão abrangente do mundo e base de um vasto programa de reformas econômicas e políticas, a partir do qual buscou influenciar o debate e as políticas econômicas francesas da década de 1760. O legado da fisiocracia para a ciência econômica é inegavelmente grandioso, ao mesmo tempo em que é profundamente ambivalente. Por um lado, nasce ali um novo tipo de saber que não apenas tematiza a interdependência das diferentes classes e setores da economia ou o caráter circular e cíclico da produção e da circulação das riquezas, mas também traz consigo um novo modo de pensar o econômico, a modelagem – um modo tão inovador que será necessário mais de um século e meio até que ele se torne a norma entre economistas. Por outro, também nasce ali a arrogância de um especialista que se acredita em posse de um saber superior a respeito do funcionamento da sociedade e que acredita, no pior dos casos, que lhe cabe empregar todos os meios disponíveis, inclusive violentos, na tentativa de conformar o mundo a esse saber, ou, no melhor, lamenta a teimosia de todos aqueles que se recusam a ver em seus ensinamentos uma verdade absoluta.