A Coleção Georges Simenon da Editora Unesp traz ao leitor brasileiro pela primeira vez a tradução integral da obra do grande autor belga, organizada em ordem cronológica. A série Romances e outros escritos reúne os chamados “romances duros”, nos quais Simenon exercita sem limitações e sob aclamação universal sua exploração das questões existenciais humanas. Neste terceiro volume de Romances e outros escritos, Simenon reúne quatro histórias sobre o peso das escolhas e da fatalidade. São retratos de personagens levados ao limite por suas próprias contradições, pelo isolamento ou pelo simples destino. A CASA DO CANAL Órfã aos 16 anos, uma jovem troca Bruxelas pelo campo flamengo. Sem falar a língua local, ela supera o choque cultural ao exercer um domínio perturbador sobre a vida dos primos na isolada e misteriosa casa do canal. O INQUILINO Em fuga, Élie Nagéar esconde-se na pensão da família de sua amante. Sob a rotina pacata, desenrola-se um drama psicológico sobre a ambiguidade moral de quem, por piedade ou fascínio, silencia diante de um criminoso. OS SUICIDAS Em busca de liberdade para seu amor proibido, Émile e Juliette ocultam-se em Paris. Contudo, a miséria e o fracasso corroem o romance, transformando o sonho em uma descida ao desespero, onde o cerco se fecha de forma inevitável. OS CLIENTES DE AVRENOS Bernard de Jonsac e Nouchi vivem uma união ambígua na Istambul dos anos 1930. Às margens do Bósforo, em uma atmosfera de ócio, vício e melancolia, a presença da melancólica Lélia tensiona ainda mais as relações.
Georges Simenon (1903-1989) é um dos autores mais respeitados do século XX, com centenas de obras publicadas e traduzidas no mundo todo. Nascido em Liège, na Bélgica, tornou-se mundialmente famoso com seu Comissário Maigret, protagonista de dezenas de romances policiais que se destacam pela profundidade psicológica, escapando dos clichês do gênero e conferindo-lhe densidade. Paralelamente, Simenon construiu uma obra ainda mais vasta com seus aclamados “romances duros”: narrativas sombrias e existenciais que exploram a solidão, o fracasso e as paixões com um realismo brutal. Sua habilidade em sondar a alma humana lhe rendeu a admiração de gigantes como André Gide e William Faulkner, consolidando-o como um mestre da literatura moderna.
Amostras da genialidade de Molière: O Tartufo nos apresenta Orgon, devoto religioso que se deixa impressionar pelas supostas virtudes do personagem-título; Dom Juan não se limita a explorar as fragilidades morais do seu célebre protagonista, levando o leitor a uma análise bem mais complexa do mito; em O doente imaginário, acompanhamos um hipocondríaco determinado a se livrar de males que não o acometem.
Na França pós-queda da Bastilha, Gamelin, pintor pouco virtuoso mas idealista, acaba sendo recrutado para uma função-chave dentro da chamada fase do Terror da Revolução Francesa: a de jurado do Tribunal Revolucionário – o que, na prática, significa que pode mandar qualquer um à guilhotina. No desempenho desse papel terrível, os valores éticos e morais do protagonista vão sendo postos à prova.
Foi no seio da Idade Média que se desenvolveram as regras de matrimônio. Resultantes de conflitos e disputas de poder entre diferentes esferas da sociedade da época, muitas dessas regras ainda vigoram na sociedade contemporânea. Cobrindo um arco temporal que vai do século XI ao XIII, Georges Duby investiga aqui a evolução do casamento nos círculos da nobreza, a partir do exame de documentos eclesiásticos, discursos literários e genealogias. Este estudo não apenas elucida a gênese desse contrato tão longevo; ele permite, também, que se entrevejam as estruturas sociais que o ensejaram, com suas semelhanças e diferenças em relação à instituição atual.
Esta coleção de textos não apenas dá mostras da vastidão de tópicos e estudos relacionados à Revolução, como também atesta o compromisso intelectual de Vovelle com seu objeto, mostrando que a história da Revolução sempre foi para ele um tema vivo e apaixonante. Em momentos como o atual, em que avançam o dogmatismo e o obscurantismo, é mais do que nunca importante travar um combate pela história, e isso, como diz o autor, é também “travar um combate pela Revolução”.
Na Paris do final do século XIX, acompanhamos uma confraria de jovens idealistas em busca de uma renovação do meio artístico. O protagonista, Claude, é um pintor em busca obsessiva pelo modelo ideal. Ele encarna a determinação daqueles intelectuais combativos, e sua história nos permite testemunhar dramas e desacordos da época que permanecem como pontos sensíveis nos dias atuais.