Sobre educação, ensino de línguas e literatura
Este livro reúne textos de Maria do Rosário Longo Mortatti que durante muito tempo circularam apenas em ambientes restritos ou foram destinados ao público geral por meio da imprensa e de palestras. Organizados cronologicamente, os artigos e entrevistas cobrem quase três décadas de reflexão sobre o ensino de língua e literatura no Brasil. A obra revela os bastidores de uma trajetória intelectual que une a vivência na educação básica ao rigor da pesquisa científica, oferecendo uma visão crítica sobre as políticas educacionais e a formação docente.
Maria do Rosario Longo Mortatti é poeta, escritora e professora titular na Unesp – Marília. É licenciada em letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (encampada pela Unesp), mestre e doutora em educação pela Unicamp, livre-docente em alfabetização e presidente emérita da Associação Brasileira de Alfabetização. Foi professora de língua portuguesa e literatura na educação básica. Atua no curso de pedagogia e no Programa de Pós-Graduação em Educação da Unesp – Marília. É autora de livros, artigos e ensaios sobre história da educação, alfabetização e ensino de língua e literatura, e também de livros de contos, crônicas e poesia e do blog Literatura & Educação. Recebeu o Prêmio Jabuti em 2012, na categoria Educação, pelo livro Alfabetização no Brasil: uma história de sua história (Oficina Universitária/Editora Unesp).
O objetivo desta coletânea de ensaios não é apresentar uma teoria sobre o método de análise da configuração textual nem ensinar como se deve aplicá-lo, mas deixar o método falar e tocar, mostrando o modo como a autora faz, em vez de como se deve fazer. Como respostas a antigas e recentes solicitações e motivações, são apresentadas doze variações em torno do tema de suas constantes investigações de leitora e autora sobre o “enigma” do texto. Pretende-se mostrar que, por meio desse método, é possível encontrar sentidos de um texto que não se encontrariam sem ele e, a partir de sua utilização, pode-se reconhecer o que ele mesmo vale. Ao menos para os que, aceitando o convite para o diálogo, acompanhem as páginas que seguem, como partícipes de um banquete de elogio ao texto.
O que significa ensinar literatura e formar leitores em um país marcado por crises educacionais persistentes? Maria do Rosario Longo Mortatti responde a essa indagação a partir de sua vivência como pesquisadora na universidade e professora no sistema público, reunindo neste livro textos que flutuam entre a memória profissional e o olhar para o futuro, abordando o interacionismo linguístico e a história do ensino no Brasil. Trata-se de uma obra voltada a quem entende a leitura literária como um direito e um ato político. "Por este percurso [...] foi se tecendo, se fortalecendo e se sofisticando a indagação fundamental que a autora faz a si mesma e a seus leitores: a leitura da literatura é mesmo essencial? E se for – como creio que postula Mortatti [...] –, como desenvolver práticas pedagógicas, formais e informais, que promovam acesso humanamente significativo a textos literários?" Marisa Lajolo
Como ensinar a docência sem reduzir o ensino-aprendizagem a simples transmissão ou aplicação de técnicas? Maria do Rosario Longo Mortatti responde a essa pergunta subvertendo a lógica dos manuais. Valendo-se do teatro épico de Bertolt Brecht, esta peça didática encena o cotidiano da formação acadêmica de professores para revelar o que há de mais vivo no processo de alfabetização, ensino de língua e literatura. Em vez de fórmulas prontas, encontramos aqui o desenho de uma pedagogia feita de encontros, confrontos e diálogos na aula como acontecimento. Uma antirreceita e um antirritual voltados a todos que acreditam na educação como experiência humana e transformadora.
Atualmente, há cerca de vinte milhões de analfabetos no Brasil, resultantes de um processo histórico longo, com lutas políticas e ideológicas mal resolvidas. Ao cidadão talvez pareça natural a ideia de que o Estado tem o dever de propiciar a todos os indivíduos, por meio da educação, o acesso à leitura e à escrita, como uma das principais formas de inclusão social, cultural e política e de construção da democracia. Nesta obra, a autora aborda conceitos como alfabetização e analfabeto, até sua gradativa substituição por expressões e noções como letramento e iletrado. Analisa a trajetória percorrida e o esgotamento de determinadas possibilidades teóricas e práticas no campo educacional evocando meios para sua superação, bem como para o resgate da dívida histórica com os excluídos da participação social, cultural e política no Brasil.
Passado durante os primeiros anos do século XIX, o enredo deste romance revisita o arquétipo do amor juvenil da peça Romeu e Julieta: Simão Botelho apaixona-se perdidamente pela bela Teresa de Albuquerque. Os jovens, entretanto, pertencem a famílias rivais. Impedidos de se encontrar, trocam correspondências graças à conivência de Mariana, secretamente apaixonada por Simão. Esse triângulo amoroso precipitará os jovens para um destino trágico.