Como ensinar a docência sem reduzir o ensino-aprendizagem a simples transmissão ou aplicação de técnicas? Maria do Rosario Longo Mortatti responde a essa pergunta subvertendo a lógica dos manuais. Valendo-se do teatro épico de Bertolt Brecht, esta peça didática encena o cotidiano da formação acadêmica de professores para revelar o que há de mais vivo no processo de alfabetização, ensino de língua e literatura. Em vez de fórmulas prontas, encontramos aqui o desenho de uma pedagogia feita de encontros, confrontos e diálogos na aula como acontecimento. Uma antirreceita e um antirritual voltados a todos que acreditam na educação como experiência humana e transformadora.
Maria do Rosario Longo Mortatti é poeta, escritora e professora titular na Unesp – Marília. É licenciada em letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (encampada pela Unesp), mestre e doutora em educação pela Unicamp, livre-docente em alfabetização e presidente emérita da Associação Brasileira de Alfabetização. Foi professora de língua portuguesa e literatura na educação básica. Atua no curso de pedagogia e no Programa de Pós-Graduação em Educação da Unesp – Marília. É autora de livros, artigos e ensaios sobre história da educação, alfabetização e ensino de língua e literatura, e também de livros de contos, crônicas e poesia e do blog Literatura & Educação. Recebeu o Prêmio Jabuti em 2012, na categoria Educação, pelo livro Alfabetização no Brasil: uma história de sua história (Oficina Universitária/Editora Unesp).
O objetivo desta coletânea de ensaios não é apresentar uma teoria sobre o método de análise da configuração textual nem ensinar como se deve aplicá-lo, mas deixar o método falar e tocar, mostrando o modo como a autora faz, em vez de como se deve fazer. Como respostas a antigas e recentes solicitações e motivações, são apresentadas doze variações em torno do tema de suas constantes investigações de leitora e autora sobre o “enigma” do texto. Pretende-se mostrar que, por meio desse método, é possível encontrar sentidos de um texto que não se encontrariam sem ele e, a partir de sua utilização, pode-se reconhecer o que ele mesmo vale. Ao menos para os que, aceitando o convite para o diálogo, acompanhem as páginas que seguem, como partícipes de um banquete de elogio ao texto.
O que significa ensinar literatura e formar leitores em um país marcado por crises educacionais persistentes? Maria do Rosario Longo Mortatti responde a essa indagação a partir de sua vivência como pesquisadora na universidade e professora no sistema público, reunindo neste livro textos que flutuam entre a memória profissional e o olhar para o futuro, abordando o interacionismo linguístico e a história do ensino no Brasil. Trata-se de uma obra voltada a quem entende a leitura literária como um direito e um ato político. "Por este percurso [...] foi se tecendo, se fortalecendo e se sofisticando a indagação fundamental que a autora faz a si mesma e a seus leitores: a leitura da literatura é mesmo essencial? E se for – como creio que postula Mortatti [...] –, como desenvolver práticas pedagógicas, formais e informais, que promovam acesso humanamente significativo a textos literários?" Marisa Lajolo
Este livro reúne textos de Maria do Rosário Longo Mortatti que durante muito tempo circularam apenas em ambientes restritos ou foram destinados ao público geral por meio da imprensa e de palestras. Organizados cronologicamente, os artigos e entrevistas cobrem quase três décadas de reflexão sobre o ensino de língua e literatura no Brasil. A obra revela os bastidores de uma trajetória intelectual que une a vivência na educação básica ao rigor da pesquisa científica, oferecendo uma visão crítica sobre as políticas educacionais e a formação docente.
Atualmente, há cerca de vinte milhões de analfabetos no Brasil, resultantes de um processo histórico longo, com lutas políticas e ideológicas mal resolvidas. Ao cidadão talvez pareça natural a ideia de que o Estado tem o dever de propiciar a todos os indivíduos, por meio da educação, o acesso à leitura e à escrita, como uma das principais formas de inclusão social, cultural e política e de construção da democracia. Nesta obra, a autora aborda conceitos como alfabetização e analfabeto, até sua gradativa substituição por expressões e noções como letramento e iletrado. Analisa a trajetória percorrida e o esgotamento de determinadas possibilidades teóricas e práticas no campo educacional evocando meios para sua superação, bem como para o resgate da dívida histórica com os excluídos da participação social, cultural e política no Brasil.