O Brasil nas negociações do setor de serviços financeiros
Mesmo implantando uma ampla liberalização financeira, o Brasil resiste às pressões internacionais para assumir compromissos que tornariam as medidas já adotadas quase definitivas. Este aparente paradoxo é explorado por Neusa Maria Pereira Bojikian, que demonstra – apoiada em vasta documentação e instrumentos de análise – como a "liberalização administrada" se impôs como as opção mais racional para as autoridades nacionais. Acordos comerciais internacionais responde à questão de por que um país que se dispõe a fazer reformas profundas em sua estrutura econômica adota uma postura tida como conservadora no momento de apresentar ofertas concretas nas negociações comerciais internacionais. Percebe-se neste caminho que o Brasil usa as mesmas estratégias e táticas dos principais países desenvolvidos.
Neusa Maria Pereira Bojikian é pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas, Departamento de Ciência Política do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e pesquisadora associada do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-Ineu/CNPq/Fapesp). Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade Estadual Paulista, Universidade Estadual de Campinas e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PPGRI-Unesp/Unicamp/PUC-SP).
Trump pregou uma peça no mundo político, em 2016, quando chegou à presidência dos Estados Unidos sem experiência governamental ou militar e dominando o Partido Republicano. No mandato, demonstrou capacidade inexcedível para alterar o estado das coisas. Entregou resultados substanciais a seus apoiadores, como redução de impostos, desregulamentações ambientais, reformulação do judiciário federal. No âmbito externo, desapoiou acordos multilaterais, mudou regras migratórias, provocou duras disputas com a China. Terminou o governo com dois processos de impeachment. Os ensaios reunidos neste livro abordam temas dessa ordem e refletem sobre a agenda desafiadora de Biden e o papel dos EUA no sistema internacional.
Diante da instabilidade que marca a ordem mundial neste começo de 2026, A volta de Trump surge como uma ferramenta valiosa de análise dos novos rumos da geopolítica global, examinando a consolidação de uma política externa pautada pelo choque e pelo nacionalismo agressivo. Ao investigar a crise das instituições liberais e as novas pressões sobre a soberania na América Latina, os autores se debruçam sobre as engrenagens de um governo que, oscilando entre o blefe e ação, abre mão do consenso e passa a negociar de forma recorrente em cenários beligerantes.
A atual crise financeira internacional (2008-2009) pode ter desfecho menos dramático em relação ao da grande depressão de 1930, cuja solução definitiva foi o choque de demanda imprimido pela Segunda Guerra Mundial? Qual é o vínculo entre o desmonte das previdências públicas e a longa duração do colapso? O "Novo Brasil" resistiria a uma onda especulativa contra o real? Que cicatrizes este período deixará na economia e liderança dos Estados Unidos?
Este volume reúne um arcabouço de pesquisas, estudos e análises que buscam dar conta desse novo cenário. Parte dos textos é sustentada em questões práticas – como legislação e tratados internacionais – com o objetivo de situar o leitor nesse terreno de métodos e operação, com regras e procedimentos predefinidos. Outra parte avança pela trilha das variáveis, apontando aspectos materiais e psicológicos que podem facilitar os objetivos ou colocar tudo a perder.
A Economia Institucional – uma das vozes críticas mais importantes contra a fé desmedida nos mercados e contra a matematização desnecessária da Economia – é muito pouco divulgada no Brasil. Esta coletânea traz doze artigos, oito traduções de trabalhos inéditos em português e quatro artigos escritos por pesquisadores brasileiros especialmente para esta obra. O livro serve como introdução ao pensamento dessa escola importante para todos os que se preocupam com a construção de uma teoria econômica mais crítica e, ao mesmo tempo, mais realista.