A este último marca a incursão do crítico de arte inglês John Ruskin na crítica social. No contexto da Segunda Revolução Industrial, o pensador analisa e redefine alguns dos conceitos-base da economia política clássica — valor, riqueza, trabalho — propondo uma economia fundamentada na moralidade e na justiça. Exemplo paradigmático do “sábio vitoriano”, Ruskin aparece aqui em sua melhor forma, em uma crítica implacável que pode ser destilada em sua célebre máxima: “Não há riqueza exceto a vida”.
John Ruskin (1819–1900) foi um influente crítico de arte, de arquitetura e de cultura inglês. Em sua atuação como intelectual público, foi um exemplo paradigmático do “sábio vitoriano”, um polemista versátil e de refinado estilo literário que intervém no debate buscando instruir seus leitores e mobilizar mudanças culturais e sociais. Ruskin é também considerado um precursor do pensamento ecológico, em grande parte por suas análises críticas à nascente economia industrial de mercado, dentre as quais os ensaios de A este último são o ponto alto.
É mestre (1995) e doutor (2005) pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo; arquiteto e urba¬nista (1979) pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUCCamp. Atualmente é pro¬fessor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" (Unesp), campus de Bauru. Atua na pesquisa dos seguintes temas: Pedagogia da Arquitetura, Teoria e História da Arquitetura, Espaços do Trabalho.
O tema principal da obra do crítico de arte inglês John Ruskin foi uma teoria da percepção, cujo objetivo era o ensino do desenho considerado como parte da política industrial londrina do século XIX. No Brasil, podemos encontrar a influência do trabalho de Ruskin no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (fundado em 1886 pelo arquiteto Joaquim Béthencourt da Silva), que tinha como sócio honorário o escritor Rui Barbosa, leitor de Ruskin. Muitas das ideias ruskinianas influenciaram o método de ensino do desenho no Liceu, que pretendia transformar a cidade do Rio de Janeiro em uma obra de arte. Neste livro, Claudio Silveira do Amaral abre a possibilidade para a revisão das experiências arquitetônicas brasileiras baseadas na concepção da estética ruskiniana, procurando problematizar e rediscutir os alicerces teóricos de nossa sociedade industrial.
Os limites e as interações da fotografia com a pintura são o tema deste livro, fruto da dissertação de mestrado de Selma Machado Simão, apresentada no Instituto de Artes (IA) da Unesp, câmpus de São Paulo. A pesquisa, além de gerar uma reflexão sobre a arte resultante da interface entre essas duas esferas da criação visual, inclui produções da própria autora. Para ela, a miscigenação erntre uma técnica industrial mecânica, a fotografia e a artística artesanal, a pintura, gera momentos de grande potencial criativo. Em sua pesquisa, aborda o impacto que, no século XIX, a fotografia causou na linguagem pictórica, que se sentiu, então, desobrigada de reproduzir a realidade. A pesquisadora analisa, ainda, as obras de alguns fotógrafos/artistas do passado e do presente.
Feyerabend desafia os grandes dogmas do mundo contemporâneo para defender os benefícios da diversidade e das mudanças culturais diante das certezas uniformes e homogeneizantes da tradicional racionalidade científica. Aproxima Ciência e Arte e discute desde Xenófanes a Einstein e a mecânica quântica, passando por uma análise surpreendente do conflito entre Galileu e a Igreja. O seu (tipicamente) agressivo adeus à razão equivale à rejeição de uma imagem congelada e distorcida da ciência que abusa do cânon ocidental racionalista e objetivo.
Arte Virtual: da Ilusão à Imersão, de Oliver Grau, é uma análise histórica comparativa de como a arte virtual se encaixa na história da arte da ilusão e do realismo. Oferecendo um estudo criterioso da evolução dos espaços virtuais imersivos, Grau reexamina o termo imagem para refletir a respeito das implicações dos ambientes virtuais simulados por computador.
Paulo Andrade analisa nesta obra os procedimentos técnicos, temas e motivos construídos pelo poeta Sebastião Uchoa Leite para refletir sobre seu projeto poético e seu sujeito lírico. O estudo focaliza uma produção poética submetida a certa tensão, por desvios e aproximações, tanto com a tradição moderna quanto com as propostas modernistas, o que impossibilita demarcar limites para classificá-la. O grande mérito do autor é precisamente situar a obra de Uchoa nesse contexto específico.
Andrade mostra que Uchoa não concebe o modernismo como força propulsora, mas como forma. O poeta não descarta as conquistas de 1922 e das décadas seguintes, no entanto, empenha-se em transgredi-las, contaminando-as com referências de toda ordem, seja da alta cultura, seja de elementos líricos retomados de tradições mais antigas, como a obra de François Villon, seja da cultura de massa ou de linguagens as mais diversas. Adepto do modernismo, Uchoa centra-se no contexto de seu tempo, e utiliza-se de uma linguagem concisa para expressar as preocupações em relação à cultura contemporânea.
A análise de Andrade traz à tona um poeta que alia pensamento e poesia e, fortemente crítico à realidade, coloca-se em permanente desconfiança em relação ao mundo, ao outro e a si próprio. No percurso o estudo também aborda outros temas e procedimentos afins para articular a questão central, como o humor, a ironia, a autoironia e a difícil relação entre a retomada e a transgressão de certa tradição moderna, que faz de Uchoa um herdeiro singular de Paul Valéry, T. S. Eliot, João Cabral, Carlos Drummond, Manuel Bandeira e dos poetas concretistas.