Livro revisita o impacto de 'Pau Brasil' cem anos após a revolução modernista de Oswald de Andrade

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Publicação organizada pela pesquisadora Gênese Andrade reúne fac-símile da primeira edição, manuscritos, textos críticos e documentos que reconstituem a recepção do livro e do manifesto no calor da década de 1920

Há cem anos, Oswald de Andrade transformava o nome de uma árvore marcada pela exploração colonial em símbolo de ruptura estética e invenção cultural. É desse gesto fundador do modernismo brasileiro que parte Pau Brasil 100 anos: O manifesto e o livro no calor da hora, obra organizada por Gênese Andrade e lançada pela Editora Unesp, que revisita a criação, a circulação e as polêmicas em torno de Pau Brasil, publicado originalmente em 1925.

Além de recuperar os poemas do livro, a publicação recompõe o ambiente intelectual e artístico que cercou o projeto oswaldiano. O volume reúne a reprodução fac-similar da primeira edição da obra, o “Manifesto da Poesia Pau Brasil”, manuscritos dos poemas, esboços das ilustrações e da capa de Tarsila do Amaral, além de dezenas de textos críticos, cartas, notas sociais e documentos da época que permitem acompanhar a recepção imediata do livro entre admiradores e detratores.

“A poesia «pau-brasil» é o ovo de Colombo — esse ovo, como dizia um inventor meu amigo, em que ninguém acreditava e acabou enriquecendo o genovez”, escreveu Paulo Prado, no prefácio do livro, apontando que Oswald, em seu projeto estético, defende uma poesia capaz de redescobrir o Brasil a partir de sua própria linguagem e de sua própria experiência histórica. A proposta de “poesia para exportação”, formulada pelo autor, desencadeou intensos debates estéticos e ideológicos, transformando Pau Brasil em um dos principais marcos do modernismo brasileiro.

Ao recuperar textos publicados entre 1924 e 1927 em jornais e revistas de diferentes cidades brasileiras, a obra organizada por Gênese Andrade evidencia a dimensão pública dessas disputas. Críticos, escritores e intelectuais como Tristão de Athayde, Menotti Del Picchia, Carlos Drummond de Andrade e Mário Graciotti participaram de um embate que extrapolava a literatura e colocava em jogo diferentes projetos de cultura nacional.

Entre manuscritos, correspondências e registros de circulação do livro, Pau Brasil 100 anos também ilumina os bastidores da construção modernista, revelando o entusiasmo de Oswald de Andrade diante da repercussão da obra. “Os jorná só fala de Pau Brasil. As moça também”, escreveu o autor em uma das cartas reproduzidas no volume.

“Considerado um marco da poesia brasileira e das artes gráficas e visuais do século XX, esta publicação evidencia que temos em Pau Brasil versos como brasa dormida, e Oswald continua sendo ‘com pontaços de exagero, com perfídias líricas, com enorme e suntuoso talento – um grande, um sonhador, um destemido caudilho do pensamento estético no Brasil’”, anota Gênese.  

Sobre a organizadora - Gênese Andrade é professora universitária, pesquisadora independente e tradutora. Autora de Pagu/ Oswald/ Segall (Museu Lasar Segall; Imprensa Oficial, 2009) e Vicente do Rego Monteiro (Publifolha, 2013), entre outros. Organizadora de Feira das Sextas (Globo, 2004), Arte do Centenário e outros escritos (Editora Unesp, 2022), El arte del centenario y otros escritos (Eudeba, 2024), de Oswald de Andrade; Modernismos 1922-2022 (Companhia das Letras, 2022); Correspondência Mário de Andrade & Oswald de Andrade (IEB-USP; Edusp, 2023); 1923: os modernistas brasileiros em Paris (Editora Unesp, 2024).

Título: Pau Brasil 100 anos: O manifesto e o livro no calor da hora
Organização: Gênese Andrade
Número de páginas: 550  
Formato: 13,7 x 21 cm
Preço: R$ 98
ISBN: 978-65-5711-314-1

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