Ensaio investiga as ambivalências do conceito, entre violência e amor, perda e dádiva, e reconecta a ideia à reflexão moderna sobre mudança social
Em um cenário intelectual frequentemente orientado por categorias como poder, ideologia e identidade, certos conceitos parecem ter sido relegados ao campo da teologia ou da tradição moral. No entanto, poucos são tão persistentes — e tão controversos — quanto o sacrifício. É a partir dessa tensão que se desenvolve Sacrifício radical, de Terry Eagleton, lançamento da Editora Unesp, com tradução de Fernando Santos. Nele, o crítico britânico examina as múltiplas camadas históricas e filosóficas dessa noção para revelar seus desdobramentos políticos e culturais.
“Os capítulos deste livro fazem parte de um projeto mais amplo, um projeto que gira em torno de um conjunto de ideias que parecem ter se tornado fundamentais em minha obra mais recente: morte, tragédia, sacrifício, privação e coisas do tipo”, anota Eagleton. “Para os leitores que possam achar esses conceitos demasiado melancólicos, devo acrescentar que há também diversos estudos acerca da renovação, da transformação e da revolução, que eu considero a outra face das concepções mais sombrias que acabei de enumerar.”
Conhecido por sua abordagem histórico-crítica e por sua escrita que combina erudição e ironia, Eagleton volta-se a um tema raramente explorado por teóricos da cultura e da política. Ao articular questões como mal, violência, amor, morte, martírio, perdão, graça e dádiva, o autor remove o conceito do lugar-comum e expõe sua força revolucionária. Se pode parecer inesperado que um pensador materialista se dedique a um termo associado à religiosidade, essa é precisamente a operação que o livro realiza: desmontar críticas caricaturais e aproximar a consciência da mortalidade humana de uma teoria da transformação histórica.
Intercalando referências filosóficas, literárias e anedotas históricas em seu estilo característico, Eagleton percorre uma ampla tradição intelectual – da Torá à antropologia pós-estruturalista – para examinar o sacrifício como um dos fundamentos da ordem social. A concepção moderna frequentemente o interpreta como triunfo da autodisciplina sobre o desejo, mas também como gesto arcaico e destrutivo. Essa ambivalência, contudo, não é recente: já no Antigo Testamento, o entrelaçamento entre ritual e retidão moral se mostra atravessado por conflitos e ambiguidades.
Ao seguir a complexa genealogia da ideia, o autor dedica especial atenção ao Antigo e ao Novo Testamentos, oferecendo uma análise vigorosa da crucificação e do Calvário enquanto mobiliza um amplo repertório de pensadores e obras – de Hegel, Nietzsche e Derrida à Eneida e a Henry James. Em reflexões que passam pela morte e pelo eros, por Shakespeare e São Paulo, pela ironia e pelo hibridismo, Eagleton reexamina o significado do sacrifício na Modernidade e rejeita leituras que o reduzem a mero vestígio de barbárie.
Sobre o autor – Terry Eagleton é um proeminente teórico e crítico literário, filósofo e intelectual público inglês. A Editora Unesp publicou alguns de seus trabalhos mais importantes: Ideologia: uma introdução (Editora Unesp/Boitempo, 1997), Marx e a liberdade (2002), A tarefa do crítico (2010), A ideia de cultura (2.ed., 2011), Doce violência: a ideia do trágico (2013), O sentido da vida: uma brevíssima introdução (2021), Sobre o mal (2022), Esperança sem otimismo (2023), Materialismo (2023), O acontecimento da literatura (2024), Revolucionários da crítica (2024), Tragédia (2025) e Cultura (2025).
Título: Sacrifício radical
Autor: Terry Eagleton
Tradução: Fernando Santos
Número de páginas: 224
Formato: 13,7 x 21 cm
Preço: R$ 68
ISBN: 978-65-5711-317-2
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